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18/Sep/2026

EUA: balanço amplia risco de alta do óleo de soja

O esmagamento de soja e os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos ficaram abaixo do esperado em agosto, reduzindo a folga do balanço norte-americano e elevando o risco de alta dos preços caso a geração de créditos vinculados ao biodiesel também fique abaixo das expectativas. Segundo a Stag International, o mercado ainda aguarda a confirmação dos dados de agosto e a decisão regulatória da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) prevista para outubro antes de incorporar de forma mais consistente um cenário de oferta restrita. Os dados da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa) indicam que os estoques de óleo de soja ao fim de agosto ficaram estimados em 1,709 bilhão de libras-peso, equivalente a cerca de 775 mil toneladas. A avaliação é de que os números refletem tanto a demanda elevada por óleo de soja para a produção de biocombustíveis quanto uma desaceleração recente no ritmo de crescimento do esmagamento de soja.

Apesar do balanço mais apertado e da recente valorização do petróleo, a reação dos preços do óleo de soja foi limitada. Esse comportamento indica que o mercado ainda evita precificar um aperto adicional antes da divulgação da geração de créditos de biodiesel referente a agosto e da decisão da EPA sobre a realocação de isenções concedidas a pequenas refinarias, esperada para outubro. Os créditos de biocombustíveis, conhecidos no mercado norte-americano como RINs D4, são utilizados pelas empresas para comprovar o cumprimento das metas federais de combustíveis renováveis. A geração desses créditos apresenta correlação histórica próxima de 88% com o consumo total de matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel e diesel renovável. Quando considerado apenas o óleo de soja, a correlação cai para 46%, devido à participação de outras matérias-primas, como sebo e óleo de canola.

A desaceleração do crescimento da demanda por óleo de soja em agosto aumenta o risco de uma geração de créditos D4 também inferior ao esperado, caso o consumo de outras matérias-primas, especialmente sebo e óleo de canola, não tenha avançado em ritmo suficiente para compensar esse movimento. Com os dados disponíveis até julho, seria necessária uma geração média mensal entre 870 milhões e 900 milhões de créditos de agosto a dezembro para que o mercado atingisse a exigência anual próxima de 9 bilhões. Em junho e julho, a média ficou em torno de 820 milhões de créditos. Assim, uma geração abaixo do ritmo necessário em agosto elevaria o volume médio exigido nos meses seguintes e poderia voltar a dar suporte tanto aos créditos quanto aos futuros de óleo de soja. Apesar desse risco, o cenário ainda não é considerado estruturalmente altista para o óleo de soja.

A participação do óleo no valor do esmagamento vem perdendo força desde junho, em movimento associado a paradas e operações de manutenção na indústria norte-americana, exportações de soja dos Estados Unidos acima do esperado, maior aperto na disponibilidade de matéria-prima para as esmagadoras brasileiras e problemas nos fluxos de produtos de girassol provenientes do Mar Negro. A perda de participação do óleo no valor do processamento também evidencia que o mercado global ainda necessita de maior ritmo de esmagamento nos Estados Unidos para ampliar a oferta de farelo de soja. Caso esse aumento não ocorra, a demanda pelo farelo poderá ser limitada por preços mais elevados, reduzindo a possibilidade de o óleo de soja recuperar participação de forma mais consistente na margem de processamento. Parte dessa pressão tende a diminuir com a entrada da nova safra norte-americana.

Os prêmios do farelo de soja brasileiro para novembro e dezembro já recuaram e deixaram de ser competitivos em relação ao produto dos Estados Unidos, enquanto a chegada da nova safra norte-americana às esmagadoras tende a ampliar a disponibilidade de soja para processamento. O clima permanece como fator de curto prazo. A previsão para os próximos dias indica condições relativamente úmidas nos Estados Unidos, com potencial para atrasar a colheita e a chegada da soja às indústrias. Para o período de oito a 14 dias, contudo, os mapas apontam condições mais secas, o que pode favorecer a aceleração da colheita e do fluxo de grãos para as esmagadoras. O risco de alta do óleo de soja, portanto, está mais condicionado a eventos específicos do que a uma mudança estrutural no balanço. Uma geração de créditos D4 abaixo do esperado em agosto pode reativar a pressão altista sobre os futuros, mas a recuperação do esmagamento com o avanço da colheita, a disponibilidade de sebo, óleo de canola e outras matérias-primas para biocombustíveis e a decisão da EPA em outubro serão determinantes para definir a intensidade e a duração desse movimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.