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17/Sep/2026

EUA: China e biocombustíveis sustentam preço da soja

As compras de soja dos Estados Unidos pela China e a demanda do setor de biocombustíveis dão suporte aos preços da oleaginosa, enquanto o início da colheita norte-americana e o avanço do plantio na América do Sul concentram a atenção do mercado nas próximas semanas. A soja recuou após o relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que elevou a estimativa de produtividade da safra norte-americana. O USDA também informou que as lavouras de soja dos Estados Unidos estavam com 58% das condições classificadas entre boas e excelentes, no mesmo nível da média dos últimos cinco anos. Os primeiros relatos sobre a colheita norte-americana indicam produtividades dentro ou acima da estimativa do USDA. Nesse contexto, o ritmo da colheita e os primeiros resultados de produtividade serão acompanhados nas próximas semanas, com potencial de influenciar as expectativas para a oferta da nova safra.

Do lado da demanda, a China comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas de soja norte-americana na última semana. Com isso, o país estaria próximo de atingir metade do compromisso de 25 milhões de toneladas, em aproximadamente 12,5 milhões de toneladas. As exportações de soja dos Estados Unidos estão 8% acima do ritmo necessário para atingir a projeção do USDA. As próximas compras chinesas, contudo, podem sofrer influência de fatores políticos. A previsão de uma visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos no fim deste mês e relatos sobre a possibilidade de cancelamento do encontro em razão da insatisfação da China com o fornecimento de armamentos norte-americanos a Taiwan introduz incerteza sobre a continuidade do fluxo de compras. Uma eventual disputa nessa frente poderia reduzir a próxima parcela das aquisições chinesas de soja dos Estados Unidos.

No mercado de energia, o conflito no Oriente Médio permanece no foco dos investidores, com atenção para o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb, próximo ao Iêmen. O mercado passou a considerar o risco de o Irã, direta ou indiretamente por meio de grupos aliados, exercer influência sobre os fluxos marítimos no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho. O movimento deu suporte aos mercados de energia e tende a se refletir também sobre grãos e oleaginosas, principalmente por meio dos biocombustíveis. Nos Estados Unidos, os dados da Associação dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa) sobre o esmagamento de soja também funcionam como fator de suporte à demanda. O volume foi recorde para agosto. O mercado interpretou os dados de esmagamento de forma mista, mas o resultado ainda indica demanda do setor de biocombustíveis. O menor volume de processamento também esteve relacionado à alta do farelo de soja registrada no dia anterior.

Na América do Sul, o plantio da nova safra de soja já começou no Brasil e alcançava 0,4% da área. O foco dos próximos meses estará no ritmo de plantio e no desenvolvimento das lavouras, especialmente diante das discussões sobre os possíveis efeitos do fenômeno El Niño. As estimativas para a produção brasileira variam de 178 milhões a 185,6 milhões de toneladas. Apenas uma das projeções está abaixo de 180 milhões de toneladas, enquanto as demais ficam entre 180 milhões e 185,6 milhões de toneladas. Uma produção de 185,6 milhões de toneladas representaria recorde. Na Argentina, a área cultivada com soja pode crescer 1,2% ante a safra anterior, em razão da migração de áreas de milho para a oleaginosa. O avanço da área argentina, o desenvolvimento da safra brasileira e a colheita nos Estados Unidos passam, assim, a dividir o foco do mercado com o comportamento da demanda chinesa e do setor de biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.