17/Sep/2026
A forte elevação dos custos de insumos agrícolas, principalmente diesel e fertilizantes, após o fechamento do Estreito de Ormuz e ataques no Estreito de Bab el-Mandeb, deve neutralizar a recuperação recente dos preços das commodities e impedir que as principais culturas de grãos dos Estados Unidos alcancem o ponto de equilíbrio na safra 2026/27. Segundo estudo da American Farm Bureau Federation, o aumento das despesas operacionais deve resultar no quarto ano consecutivo de retornos financeiros inferiores aos custos totais para os produtores norte-americanos. A análise utiliza como base as informações do relatório de Estimativas de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (Wasde) de setembro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
As projeções de receita bruta por acre colhido apresentaram melhora para algumas culturas em relação às estimativas de maio, mas o avanço da receita não foi suficiente para compensar a elevação das despesas de produção. Para o milho, a receita bruta média projetada aumentou para US$ 857,00 por acre, alta superior a US$ 50,00 em relação à estimativa anterior. Para a soja, a projeção avançou para US$ 634,00 por acre, incremento de US$ 30,00. Também foram registradas revisões positivas nas estimativas de receita para arroz, cevada e aveia. O aumento dos custos de produção, entretanto, absorveu os ganhos proporcionados pela valorização das commodities. O diesel acumula alta média de 45% desde a primavera norte-americana, enquanto os fertilizantes também registraram forte elevação após a crise provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Na comparação com as projeções anteriores ao agravamento das tensões, o impacto adicional dos custos é estimado em cerca de US$ 30,00 por acre para algodão e milho, US$ 14,00 por acre para soja e mais de US$ 70,00 por acre para arroz. O aumento das despesas ocorre em um ambiente de custos operacionais agrícolas próximos de US$ 500 bilhões nos Estados Unidos em 2026. Os gastos com fertilizantes devem alcançar recorde de US$ 40 bilhões, alta anual de 15%, enquanto as despesas com combustíveis e diesel devem atingir US$ 22 bilhões, avanço de 29%. A combinação de maior custo energético e encarecimento dos nutrientes reduz a capacidade de recuperação das margens mesmo quando os preços de algumas commodities apresentam melhora.
Os custos financeiros também ampliam a pressão sobre a rentabilidade. As despesas com juros bancários estão projetadas em recorde de US$ 34 bilhões e podem aumentar. Dessa forma, a estrutura de custos dos produtores norte-americanos permanece pressionada por insumos, energia e financiamento, limitando o efeito positivo da recuperação dos preços agrícolas sobre a renda das propriedades. O cenário para a safra 2026/27 indica, portanto, que a melhora pontual das receitas por acre não deve ser suficiente para recompor os resultados econômicos das principais culturas. A combinação de diesel e fertilizantes mais caros com despesas financeiras elevadas mantém os custos totais acima da capacidade de geração de receita projetada para diversos sistemas produtivos nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.