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16/Sep/2026

Preços da soja impulsionados por dólar e Chicago

No mercado interno de soja, os preços registraram alta entre R$ 0,50 e R$ 2,00 por saca de 60 Kg nesta terça-feira (15/09). O dólar fechou em leve alta ante o Real nesta terça-feira (15/09), acompanhando o movimento da moeda norte-americana no exterior, em uma sessão marcada pela cautela antes das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). O avanço dos preços do petróleo, com o Brent novamente próximo de US$ 110,00 por barril, reforçou as preocupações com a inflação global e adicionou volatilidade aos mercados na véspera da decisão do Fed. A moeda norte-americana encerrou com alta de 0,14%, a R$ 5,15. O ambiente político e institucional doméstico também permaneceu no radar dos investidores. A trajetória dos juros também permanece como fator central para o câmbio. O cenário considerado mais provável para a chamada superquarta envolve alta de 0,25% da taxa de juros pelo Federal Reserve e novo corte de 0,25% da Selic pelo Copom. Em tese, essa combinação reduz o diferencial entre os juros domésticos e norte-americanos e pode diminuir a atratividade das operações de carry trade com ativos brasileiros.

Operadores não descartam novas intervenções do Banco Central para prover liquidez diante dos sinais de pressão pela saída de divisas. A combinação entre redução do estoque de swaps cambiais tradicionais e eventual venda de dólares no mercado à vista seria interpretada por participantes como uma resposta a pressões concentradas no mercado à vista, e não apenas no segmento futuro. O câmbio permanece, assim, condicionado a uma combinação de fatores externos e domésticos, com destaque para as decisões do Fed e do Copom, o comportamento dos preços do petróleo, a evolução do cenário fiscal brasileiro, as expectativas eleitorais e a atuação do Banco Central. A redução do diferencial de juros e a maior pressão sobre a inflação global constituem fatores de atenção para o Real, enquanto o petróleo mais elevado melhora os termos de troca do Brasil e pode compensar parcialmente parte das pressões externas sobre a moeda.

Os futuros de soja fecharam em alta na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (15/09), sustentados principalmente pelo avanço superior a 2% dos contratos de farelo. O derivado foi impulsionado pela expectativa de maior demanda do setor de ração animal, diante da menor oferta de trigo nos Estados Unidos e das safras reduzidas de milho na União Europeia. O contrato novembro da oleaginosa avançou 14,50 cents, ou 1,11%, para US$ 13,18 por bushel. A demanda chinesa por soja norte-americana continua oferecendo suporte às cotações, embora não tenham sido anunciadas vendas avulsas para a China nos três últimos dias úteis. A China já adquiriu quase 13 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos na atual temporada, volume superior à metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas assumido com os Estados Unidos.

O ritmo das compras chinesas é interpretado como sinal favorável para a evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos. A manutenção da demanda chinesa reduz parte das preocupações com a concorrência entre Estados Unidos e Brasil pelo principal mercado importador mundial e melhora a percepção sobre o escoamento da safra norte-americana. O avanço da colheita nos Estados Unidos, entretanto, limitou uma valorização mais expressiva da oleaginosa. No processamento, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa) informou que a indústria norte-americana esmagou 5,59 milhões de toneladas de soja em agosto. O crescimento do processamento reforça a demanda doméstica norte-americana pela oleaginosa, especialmente por farelo e óleo. No curto prazo, o mercado deverá continuar acompanhando principalmente o ritmo da colheita nos Estados Unidos, a evolução das compras chinesas e o comportamento do farelo.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os compradores indicam R$ 141,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em setembro e pagamento no início de outubro e R$ 144,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega e pagamento em novembro. Para a safra 2026/27, tradings e indústrias esmagadoras indicam entre R$ 122,50 e R$ 123,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega em fevereiro e pagamento em março de 2027. Em São Paulo, na região de Campinas, as indicações no spot para exportação são de R$ 162,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em setembro e pagamento no fim de outubro. Para o mercado interno, a indicação é de R$ 160,00 por saca de 60 Kg CIF. Para a safra 2026/27, a indicação para exportação é de R$ 150,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em fevereiro; e entre R$ 151,50 e R$ 152,00 por saca de 60 Kg CIF, para março de 2027.

Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.