16/Sep/2026
Os futuros de soja fecharam em alta na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (15/09), sustentados principalmente pelo avanço superior a 2% dos contratos de farelo. O derivado foi impulsionado pela expectativa de maior demanda do setor de ração animal, diante da menor oferta de trigo nos Estados Unidos e das safras reduzidas de milho na União Europeia. O contrato novembro da oleaginosa avançou 14,50 cents, ou 1,11%, para US$ 13,18 por bushel. A demanda chinesa por soja norte-americana continua oferecendo suporte às cotações, embora não tenham sido anunciadas vendas avulsas para a China nos três últimos dias úteis.
Segundo estimativa do ING, a China já adquiriu quase 13 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos na atual temporada, volume superior à metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas assumido com os Estados Unidos. O ritmo das compras chinesas é interpretado como sinal favorável para a evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos, especialmente diante da visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, prevista para 24 de setembro. A manutenção da demanda chinesa reduz parte das preocupações com a concorrência entre Estados Unidos e Brasil pelo principal mercado importador mundial e melhora a percepção sobre o escoamento da safra norte-americana.
O avanço da colheita nos Estados Unidos, entretanto, limitou uma valorização mais expressiva da oleaginosa. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, após o fechamento do mercado, que os produtores haviam colhido 6% da área de soja até o último domingo, ante 5% no mesmo período do ano anterior e 3% na média dos cinco anos anteriores. O ritmo acima da média aumenta a disponibilidade física da nova safra e reduz parte do suporte proporcionado pela demanda externa. As condições das lavouras permaneceram estáveis. Segundo o USDA, 58% da safra apresentava condição boa ou excelente no dia 13 de setembro, sem alteração em relação à semana anterior.
A manutenção de um percentual elevado de lavouras em boas condições reforça a perspectiva de oferta consistente nos Estados Unidos, embora a evolução da produtividade efetivamente obtida durante a colheita continue sendo determinante para o balanço final. No processamento, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa) informou que a indústria norte-americana esmagou 5,59 milhões de toneladas de soja em agosto. O volume representa aumento de 8,2% em relação a agosto do ano anterior, mas ficou abaixo da média das estimativas dos analistas, de 5,76 milhões de toneladas.
O crescimento do processamento reforça a demanda doméstica norte-americana pela oleaginosa, especialmente por farelo e óleo. A combinação entre maior esmagamento, demanda chinesa e valorização do farelo cria suporte para os preços da soja, enquanto o avanço acelerado da colheita e a boa condição das lavouras limitam o espaço para altas mais fortes. No curto prazo, o mercado deverá continuar acompanhando principalmente o ritmo da colheita nos Estados Unidos, a evolução das compras chinesas e o comportamento do farelo. A confirmação de novos volumes destinados à China antes da visita de Xi Jinping a Washington poderá reforçar o suporte às cotações. Em sentido contrário, uma colheita norte-americana rápida e produtiva poderá aumentar a disponibilidade e limitar a valorização.