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16/Sep/2026

Brasil: estoques devem recuar na safra 2026/2027

O Brasil deve colher uma nova safra recorde de soja em 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 181,64 milhões de toneladas, mas o aumento da produção deverá ser inferior ao crescimento conjunto das exportações e do processamento doméstico. Com isso, os estoques finais devem recuar cerca de 32%, de 9,17 milhões para 6,23 milhões de toneladas, tornando o balanço brasileiro mais ajustado, embora ainda com volume considerado relevante. A produção está projetada para crescer 0,7% na comparação com a safra anterior, enquanto o processamento deve avançar 2,5%, de 62,14 milhões para 63,71 milhões de toneladas. As exportações também devem aumentar, de 116,20 milhões para 117,98 milhões de toneladas, alta de 1,5%. O ritmo mais acelerado da demanda em relação à oferta explica a redução dos estoques ao final do ciclo. O aumento do processamento deverá ser impulsionado principalmente pela maior demanda por óleo de soja destinado à produção de biodiesel, em função da elevação do percentual obrigatório de biodiesel misturado ao diesel.

O farelo de soja, outro produto resultante do esmagamento, mantém demanda elevada da indústria de rações para aves e suínos. A expansão da produção de biodiesel, portanto, amplia a necessidade de processamento doméstico e contribui para reduzir a disponibilidade de soja em grão. A menor disponibilidade de estoques aumenta a sensibilidade do mercado brasileiro a eventuais perdas de produtividade e a mudanças no ritmo da demanda internacional. Mesmo com a produção recorde, o crescimento da oferta não deverá acompanhar a expansão conjunta do processamento e das exportações, reduzindo a margem de segurança do balanço ao final da safra. O novo recorde de produção deverá ser sustentado principalmente pela expansão da área cultivada. A Conab projeta 49,31 milhões de hectares de soja em 2026/27, aumento de 1,4% ante os 48,61 milhões de hectares da safra anterior. A produtividade média está estimada inicialmente em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8% ante os 3.711 quilos por hectare registrados em 2025/26.

A estimativa inicial de produtividade adota uma base conservadora diante do rendimento elevado observado na temporada anterior. O indicador poderá ser revisado para cima nos levantamentos mensais caso as condições climáticas sejam favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A evolução do clima, portanto, permanece como fator determinante para a confirmação do volume recorde projetado. O cenário de preços também contribui para sustentar a expansão da área de soja. O preço real recebido pelo produtor apresenta alta de 9,1%, movimento que melhora a atratividade econômica da oleaginosa e favorece a manutenção dos investimentos na cultura. A combinação entre expansão da área, preços mais remuneradores e demanda crescente sustenta a perspectiva de nova safra recorde, mas com um balanço interno mais apertado em razão do avanço mais rápido do consumo e das exportações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.