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16/Sep/2026

Soja: mercado passa a monitorar o clima no Brasil

A demanda por soja nos Estados Unidos ganha força com o crescimento do esmagamento doméstico e a retomada das compras chinesas, enquanto o início do plantio no Brasil desloca parte da atenção do mercado para as condições climáticas na América do Sul. O cenário aumenta a relevância da safra brasileira para o equilíbrio global, especialmente diante da possibilidade de problemas de produção redirecionarem parte da demanda para os Estados Unidos em um momento de maior consumo interno. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o esmagamento responderá por 61% da demanda norte-americana por soja no atual ano comercial, enquanto as exportações representarão 37%. A composição da demanda mudou nos últimos anos.

A temporada 2020/21 foi a última em que os Estados Unidos exportaram mais soja do que processaram internamente. Desde então, o esmagamento doméstico ganhou participação, enquanto as exportações perderam espaço relativo. A expansão da capacidade industrial reforça essa tendência. A cooperativa CHS anunciou a construção de uma unidade de esmagamento próxima a Evansville, em Wisconsin, com investimento de aproximadamente US$ 700 milhões e capacidade anual para processar 80 milhões de bushels de soja. A planta tem entrada em operação prevista para o outono boreal de 2028 e deverá produzir cerca de 454 mil toneladas de óleo de soja e 2 milhões de toneladas de farelo por ano. A capacidade da nova unidade equivale, em termos teóricos, a aproximadamente 66% da produção anual de soja de Wisconsin.

Embora a instalação também deva receber grãos de outras regiões, a expansão tende a fortalecer a demanda física e os prêmios, ou basis, pagos aos produtores localizados nas proximidades. O aumento da capacidade de esmagamento está relacionado, em parte, à expansão do uso do óleo de soja na produção de diesel renovável e biodiesel nos Estados Unidos. No mercado externo, a China voltou a exercer maior influência sobre a demanda norte-americana. Informações de operadores indicam que compradores chineses adquiriram pelo menos 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos na semana passada, elevando o volume estimado de compras para a atual temporada a aproximadamente 13 milhões de toneladas.

Os registros oficiais, porém, apontam cerca de 9,1 milhões de toneladas destinadas à China, enquanto parte dos negócios permanece classificada como vendas para destinos não revelados ou ainda não foi incorporada aos dados oficiais. Mesmo considerando apenas os volumes oficialmente identificados, a evolução é expressiva em relação ao ano anterior. Na mesma fase de 2025, a China ainda não havia adquirido soja norte-americana para entrega no novo ciclo. As vendas externas totais dos Estados Unidos estão 102% acima do nível registrado no mesmo período do ano anterior. Com a demanda norte-americana mais firme, o mercado passa a acompanhar com maior atenção o desenvolvimento da safra brasileira. Dados da AgRural indicam que 0,4% da área de soja do Brasil havia sido semeada até o dia 10 de setembro, ante 0,05% uma semana antes e 0,12% no mesmo período de 2025.

O USDA projeta produção brasileira recorde de 186 milhões de toneladas e exportações de 118 milhões de toneladas, equivalentes a quase 62% dos embarques mundiais. As principais regiões produtoras brasileiras receberam, nos 14 dias anteriores, precipitação equivalente a 173% da média considerada normal para o período. Para os 15 dias seguintes, a previsão apontava chuvas equivalentes a 87% da média. A transição entre a estação seca e o período chuvoso tende a aumentar a irregularidade das precipitações, elevando a atenção do mercado para o estabelecimento inicial das lavouras. A dimensão projetada para a safra brasileira ganha importância adicional diante do fortalecimento simultâneo do esmagamento nos Estados Unidos e das compras chinesas.

Como o plantio brasileiro ainda está em estágio inicial, eventuais problemas climáticos capazes de reduzir o potencial produtivo poderiam alterar os fluxos globais de comércio e direcionar novamente parte da demanda para os Estados Unidos. O cenário combina, portanto, três fatores de sustentação para o mercado de soja: maior utilização industrial nos Estados Unidos, recuperação das compras chinesas e entrada do Brasil no período climático da nova safra. A evolução das condições de plantio e das chuvas no Brasil passa a ser determinante para a definição da oferta global de 2026/27 e para o equilíbrio entre a disponibilidade norte-americana e a demanda internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.