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16/Sep/2026

Clima extremo ameaça produção global de soja

Eventos climáticos extremos ocorrendo simultaneamente no Brasil, Estados Unidos e Argentina podem reduzir a produção mundial de soja entre 8,8% e 17,1% e elevar os preços internacionais de 9,5% a 33,2%, segundo estudo citado em relatório divulgado pela Food and Land Use Coalition (FOLU). Os três países concentram cerca de 80% da produção mundial da oleaginosa, o que amplia o impacto de choques climáticos simultâneos sobre o equilíbrio global de oferta e demanda. A simulação combina episódios históricos de seca e inundação nos três principais produtores com um modelo econômico do mercado mundial de soja. O exercício não representa uma previsão para a safra atual ou para um ano específico. No cenário analisado, as importações chinesas de soja recuariam cerca de um quinto, enquanto o custo adicional para consumidores de soja e carne na China poderia alcançar 174 bilhões de yuans.

O impacto sobre os preços é significativamente menor quando o evento climático atinge apenas um dos grandes produtores. Uma seca ou inundação isolada no Brasil, nos Estados Unidos ou na Argentina provocaria uma alta estimada de 1,8% a 5,9% nas cotações internacionais da soja. Quando os três países são afetados no mesmo ano, a elevação estimada passa para uma faixa de 9,5% a 33,2%. Estudo aponta que secas simultâneas nos três países podem se tornar de 11 a 16 vezes mais frequentes diante das tendências climáticas de longo prazo e apresentar intensidade entre 4% e 15% maior. O relatório utiliza 2012 como referência de risco, quando Brasil, Estados Unidos e Argentina enfrentaram seca e calor extremo no mesmo período. Naquele ano, a produção mundial de soja recuou cerca de 19 milhões de toneladas e os preços alcançaram níveis recordes.

O relatório faz parte da segunda fase do programa Re-Wire, desenvolvido pela FOLU em colaboração com a Systemiq e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), organização empresarial global que reúne cerca de 230 companhias. A primeira fase, realizada em 2025, avaliou as cadeias de soja, carne bovina, trigo e cacau em oito países produtores. A etapa atual amplia a análise dos riscos envolvendo soja, palma, canola e girassol e tem como primeiro foco o corredor de soja entre Brasil e China. A avaliação indica que as ferramentas utilizadas pelas empresas para mensurar riscos à produção agrícola ainda não incorporam ou capturam de forma incompleta uma série de ameaças relevantes. Entre os riscos estão incêndios florestais, tempestades, ciclones, tornados, pragas, doenças, granizo e degradação do solo. Secas e ondas de calor também são consideradas apenas parcialmente por modelos mais simples.

A análise isolada de eventos e regiões pode ainda subestimar as perdas quando diferentes áreas produtoras são atingidas simultaneamente. A limitação dos modelos de risco também dificulta o direcionamento de recursos para prevenção e adaptação. O setor privado tem capacidade de fornecer cerca de US$ 630 bilhões por ano em financiamento aos sistemas alimentares globais, mas apenas aproximadamente US$ 19 bilhões anuais são destinados a ações de mitigação e adaptação climática nos sistemas agroalimentares. A necessidade anual de recursos públicos e privados para esses sistemas é estimada em até US$ 1,1 trilhão. A próxima etapa do Re-Wire, prevista para janeiro de 2027, será concentrada no corredor de soja Brasil-China. O estudo deverá apresentar uma primeira estimativa das perdas que poderiam ser evitadas por meio de investimentos destinados à redução dos riscos climáticos, além do retorno potencial dessas medidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.