16/Sep/2026
Segundo o Itaú BBA, a divergência entre as projeções oficiais e privadas para o esmagamento de soja na China mantém elevada a incerteza sobre a demanda por farelo e óleo de soja em 2026/27, apesar da perspectiva de aumento da oferta mundial dos derivados. O Casde, relatório oficial chinês de oferta e demanda agrícola, projeta processamento de 94 milhões de toneladas de soja na próxima temporada, enquanto estimativas privadas indicam volume entre 100 milhões e 105 milhões de toneladas. A diferença decorre principalmente da avaliação sobre os efeitos da política chinesa de redução da participação do farelo de soja nas formulações de ração animal. Para 2025/26, o Casde estima esmagamento de 101 milhões de toneladas de soja na China, acima dos 98,9 milhões de toneladas da temporada anterior. Para 2026/27, as projeções oficiais consideram uma redução estrutural do uso de farelo de soja na alimentação animal, enquanto agentes privados avaliam que a demanda permanece resiliente, o que sustentaria volumes de esmagamento e de importação superiores aos indicados pelos dados oficiais.
O comportamento da demanda chinesa, portanto, permanece como uma das principais variáveis para a formação dos preços internacionais dos derivados de soja na próxima temporada. No Brasil, o farelo e o óleo de soja encontraram suporte em agosto, apesar da pressão sobre as cotações internacionais. O farelo em Rondonópolis (MT) registrou média de R$ 1.703,00 por tonelada, alta de 8,3% ante julho, influenciado pela valorização da soja em grão e do câmbio. O movimento elevou o custo de reposição das indústrias e fortaleceu a paridade de exportação. Os embarques brasileiros de farelo somaram 2,3 milhões de toneladas em agosto, volume 20% superior ao registrado em igual mês de 2025. Em Mato Grosso, o óleo de soja teve valorização de 2,5% em agosto, para R$ 6.029,00 por tonelada. O avanço foi sustentado pelo câmbio, pelo maior custo da matéria-prima e pela demanda doméstica associada à produção de biodiesel. O mercado brasileiro permanece, assim, condicionado simultaneamente pelo comportamento da soja, pelas condições cambiais e pela demanda interna por óleo vegetal.
No mercado global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção recorde de 245,4 milhões de toneladas dos principais óleos vegetais em 2026/27, ante 239,8 milhões de toneladas na temporada anterior. O crescimento deve ser liderado pelo óleo de soja, cuja produção está estimada em 75,1 milhões de toneladas, com expansão do esmagamento na China, no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar da maior produção, os estoques globais devem permanecer praticamente estáveis, em torno de 30,8 milhões de toneladas, o que reduz o potencial de ampliação da disponibilidade efetiva no mercado. A evolução dos preços continuará dependente da execução das safras e do comportamento da demanda energética nos principais países consumidores. A utilização de óleos vegetais para biocombustíveis permanece como importante componente da demanda global, enquanto mudanças nas políticas de mistura e incentivos podem alterar a relação entre consumo energético e disponibilidade para alimentação. A perspectiva de maior oferta já pressionou os derivados no mercado externo em agosto.
O farelo de soja recuou 0,9% na Bolsa de Chicago, para média de US$ 316,40 por tonelada, diante da expectativa de maior esmagamento nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, além da retomada dos embarques argentinos. O óleo de soja caiu 3,4%, para 68,90 centavos de dólar por libra-peso, pressionado pelo aumento esperado da produção, pela concorrência de óleo de palma, canola e girassol e pelas incertezas relacionadas à política de biocombustíveis. O cenário para 2026/27 combina, portanto, aumento potencial da oferta mundial de derivados com incertezas relevantes sobre a demanda. Na China, a diferença entre a projeção oficial de 94 milhões de toneladas de esmagamento e as estimativas privadas de 100 milhões a 105 milhões de toneladas representa uma faixa significativa de incerteza para a demanda global por soja. No Brasil, a sustentação dos preços domésticos de farelo e óleo dependerá da combinação entre disponibilidade de soja, câmbio, demanda interna, exportações e evolução do mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.