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15/Sep/2026

Bolsa de Chicago: China define continuidade da alta

A alta recente da soja na Bolsa de Chicago, que levou os futuros acima de US$ 13,00 por bushel pela primeira vez em quase três anos, encontra sustentação na demanda chinesa, no esmagamento doméstico dos Estados Unidos e na deterioração das condições das lavouras norte-americanas. A continuidade do movimento, contudo, tende a depender da relação comercial entre Estados Unidos e China, com a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, prevista para 24 de setembro, ocorrendo justamente no pico da temporada de exportação dos Estados Unidos. A reunião entre os presidentes dos dois países poderá representar um ponto de inflexão para as exportações norte-americanas de soja. Eventuais cortes tarifários e avanços em um acordo comercial poderiam favorecer os embarques dos Estados Unidos para a China, enquanto a ausência de novos entendimentos ou atrasos na implementação de medidas comerciais poderiam provocar novas perturbações no mercado.

O impacto do El Niño sobre o plantio da próxima safra sul-americana, previsto para ganhar ritmo no fim de setembro, também aparece como fator de risco para as cotações. A combinação entre clima na América do Sul e política comercial entre Estados Unidos e China tende a determinar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses. O rali ganhou força em agosto. Os futuros de soja avançaram US$ 1,52 por bushel, ou 12,9%, em menos de um mês, atingindo máxima de US$ 13,13 no início de setembro, ante US$ 11,54 por bushel em novembro do ano passado. Ao longo do ano comercial 2025/26, o comportamento da soja norte-americana foi fortemente influenciado pelas compras chinesas, pelas expectativas de novos compromissos da China e pelos fatores geopolíticos que afetaram os demais mercados agrícolas.

As condições das lavouras norte-americanas também se deterioraram durante o verão, marcado por calor intenso e chuvas fortes em regiões produtoras. Em 8 de setembro, 58% das lavouras de soja estavam classificadas em condição boa ou excelente, oito pontos porcentuais abaixo dos 66% registrados em 22 de junho. Pelo lado da demanda, o esmagamento doméstico dos Estados Unidos já supera as exportações de soja em grão, impulsionado pelo aumento da utilização do óleo de soja na produção de biodiesel. A demanda chinesa também permanece relevante. A China superou o compromisso de compras assumido para 2025/26, com inspeções acumuladas de 12,36 milhões de toneladas até 27 de agosto, e havia adquirido quase 8,5 milhões de toneladas da nova safra norte-americana no início de setembro. Compradores chineses também podem responder por parte das 6,2 milhões de toneladas vendidas pelos Estados Unidos para destinos ainda não identificados.

A retomada das compras chinesas nos Estados Unidos, porém, permanece parcial. As aquisições têm sido realizadas principalmente por empresas estatais chinesas, enquanto importadores privados continuam recorrendo ao Brasil devido à tarifa adicional de 10% aplicada por Pequim sobre a soja norte-americana. As quase 8 milhões de toneladas já reservadas nos Estados Unidos para 2026/27 representam menos de um mês das importações chinesas, e ainda existe incerteza sobre a destinação desse volume entre processamento e formação de reservas. A política comercial, portanto, permanece como um dos principais fatores de formação dos preços. Um avanço nas negociações entre Washington e Pequim poderia ampliar a participação dos Estados Unidos no mercado chinês. Uma eventual frustração, por outro lado, manteria a vantagem competitiva da soja brasileira justamente no período em que a oferta sul-americana começa a perder força sazonalmente.

No Brasil, a valorização internacional já se refletiu nos preços internos. No Paraná, as cotações da soja oscilaram entre R$ 120,00 e R$ 122,00 por saca de 60 Kg entre fevereiro e abril e avançaram 18,7% até agosto, superando R$ 140,00 por saca de 60 Kg. O movimento também está relacionado à demanda mundial firme, às condições climáticas no Hemisfério Norte e às incertezas relacionadas ao El Niño, enquanto parte dos produtores restringe a oferta na expectativa de preços mais elevados. O Brasil já ultrapassou, entretanto, o pico sazonal de exportações. Os embarques recuaram de 16,8 milhões de toneladas em abril para 9,8 milhões de toneladas em agosto, embora o acumulado de janeiro a agosto permaneça cerca de 6 milhões de toneladas acima do registrado em igual período de 2025. A China absorveu 7 milhões de toneladas da soja brasileira embarcada em agosto, o equivalente a 72% do total mensal.

Na China, os movimentos dos mercados domésticos reforçam a percepção de que a valorização da soja deixou de ser exclusivamente determinada pelos Estados Unidos. O contrato de soja geneticamente modificada negociado em Dalian avançou 9,8% até 9 de setembro, enquanto o preço médio das importações desembaraçadas pela alfândega aumentou de US$ 462,00 por tonelada em junho para US$ 482,00 por tonelada em agosto. Os futuros de farelo de soja subiram mais de 10% e os de óleo de soja avançaram cerca de 8%, apesar da permanência de sinais de demanda doméstica ainda fraca. O cenário mantém o mercado internacional dependente da combinação entre demanda chinesa, desempenho das lavouras norte-americanas, evolução das negociações comerciais entre Estados Unidos e China e condições climáticas na América do Sul. A reunião de 24 de setembro ganha relevância adicional por ocorrer em um momento de forte exposição do mercado norte-americano à demanda chinesa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.