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15/Sep/2026

Farelo de Soja: prêmios devem seguir sustentados

O aperto na oferta de farelo de soja no Brasil deve continuar sustentando os preços no curto prazo, principalmente em outubro, mas a disponibilidade tende a melhorar a partir de novembro, caso o aumento das vendas de soja pelos produtores amplie a originação das esmagadoras. A Stag International mantém viés discretamente altista para os futuros no curto prazo, mas identifica risco de pressão mais adiante, com a recuperação da oferta no Brasil e nos Estados Unidos. Os prêmios FOB do farelo brasileiro permanecem firmes mesmo com a valorização dos futuros, enquanto outubro concentra o maior aperto de disponibilidade. O farelo brasileiro para novembro é ofertado em torno de US$ 23,15 por tonelada, acima do preço-base. Nos Estados Unidos, o prêmio para o mesmo período está próximo de US$ 35,27 por tonelada.

A estrutura da curva brasileira indica que a restrição enfrentada pelas esmagadoras pode estar concentrada principalmente em outubro, com oferta relativamente mais confortável a partir de novembro. A vantagem competitiva do Brasil sobre os Estados Unidos nos dois últimos meses do ano também tende a limitar o ritmo das vendas externas norte-americanas de farelo da nova safra. O ritmo de comercialização da soja velha no Brasil é uma das principais variáveis para essa mudança de cenário. A Stag estima que entre 86% e 87% da produção já tenha sido vendida, restando entre 25 milhões e 26 milhões de toneladas a comercializar. Com os preços da soja no interior do País cerca de 30% acima dos níveis de junho, existe espaço para retomada das vendas pelos produtores, o que ampliaria a disponibilidade de matéria-prima para as esmagadoras.

A Stag mantém, por enquanto, as projeções para o farelo brasileiro no fim do ano. Um aumento mais relevante no fluxo de soja velha destinado às indústrias, contudo, poderia elevar a disponibilidade para processamento e pressionar os prêmios FOB do farelo. O cenário também considera a concentração atual da China nas compras de soja dos Estados Unidos e a possibilidade de a China retirar a tarifa remanescente de 10% sobre o produto norte-americano em torno do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para 24 de setembro. Nos Estados Unidos, a demanda doméstica por farelo permanece mais forte do que o inicialmente previsto. O consumo acumulado cresce cerca de 8% na comparação anual, mesmo após os preços elevados no segundo trimestre, levando a corretora a elevar sua projeção para 2026/27 para 41,7 milhões de toneladas.

O Departamento de Agricultura dos estados Unidos (USDA) projeta 39,9 milhões de toneladas. Para as exportações norte-americanas, porém, a Stag trabalha com uma estimativa inferior à do USDA, a 18,3 milhões de toneladas ante 20,6 milhões de toneladas estimadas pelo USDA. A diferença está na destinação da oferta adicional, com o USDA projetando maior participação do mercado externo, enquanto a Stag prevê absorção mais elevada pelo consumo doméstico. Esse equilíbrio deixa os Estados Unidos mais sensíveis a eventuais restrições de oferta em outros países. Quando o Brasil apresenta menor disponibilidade e a Argentina não consegue compensar integralmente a lacuna, o mercado norte-americano passa a atuar como fornecedor marginal, aumentando a reação dos preços diante de qualquer interrupção no esmagamento ou na oferta de farelo nos Estados Unidos.

No curto prazo, há espaço para valorização dos futuros, enquanto a demanda norte-americana permanecer firme e os prêmios brasileiros continuarem sustentados. A oferta, entretanto, tende a se tornar progressivamente mais confortável com o avanço da colheita nos Estados Unidos, prevista para começar sem grandes problemas climáticos, e com o aumento do esmagamento na comparação anual. Caso os prêmios FOB brasileiros comecem a recuar e as vendas semanais de exportação dos Estados Unidos não acelerem, o primeiro ajuste tende a ocorrer na base do farelo norte-americano, seguido por possível pressão sobre os futuros. A posição líquida comprada recorde dos fundos no produto também amplia o risco de liquidação caso os fundamentos se enfraqueçam. Ao mesmo tempo, os estoques globais, considerados amplos, devem limitar, por enquanto, uma alta sustentada dos futuros para a faixa de US$ 380 a US$ 400 por tonelada curta, equivalente a aproximadamente US$ 419,00 a US$ 441,00 por tonelada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.