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14/Sep/2026

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

O cultivo da safra 2026/27 de soja já começou e está em andamento no Paraná, em Mato Grosso e em algumas regiões de São Paulo, impulsionado pelas recentes chuvas, e o ritmo deve se intensificar assim que as chuvas diminuírem. Os produtores pretendem aproveitar as boas condições climáticas para antecipar as atividades de campo e, assim, tentar minimizar os possíveis efeitos do El Niño na safra 2026/27. Com a atenção de agentes voltada às condições climáticas, os vendedores estão retraídos das negociações envolvendo grandes volumes, reduzindo a liquidez e elevando os preços no mercado spot nacional na primeira dezena deste mês. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), até 9 de setembro, a semeadura da safra 2026/27 havia alcançado 1% da área destinada à cultura no Paraná. Dentre as regiões acompanhadas, Toledo já havia semeado 10% da área; Campo Mourão, Cascavel, Umuarama e Dois Vizinhos, 2% cada; e Pato Branco, 1%.

Em Mato Grosso, a semeadura foi iniciada principalmente em áreas irrigadas, enquanto o maior volume de chuvas já favorece o início das atividades nas áreas de sequeiro. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1%, cotado a R$ 161,73 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,4% nos últimos sete dias, a R$ 153,81 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços da soja registram alta de 1% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os preços do farelo de soja também seguem em alta no Brasil, impulsionados pela maior disputa entre compradores brasileiros e internacionais. Os consumidores domésticos mostram necessidade de repor os estoques, enquanto a demanda global segue agressiva.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 2,34 milhões de toneladas de farelo de soja em agosto, volume 0,8% superior ao de julho e 23% acima do exportado há um ano. Na parcial deste ano, até agosto, o volume é recorde, de 17,33 milhões de toneladas, 12,9% acima do embarcado no mesmo período do ano passado. Os principais importadores do produto brasileiro são a Indonésia, a Tailândia e o Irã. Nesse cenário, nos últimos sete dias, no Porto de Paranaguá (PR), os prêmios de venda para embarques de farelo de soja em outubro de 2026 estão em alta e são os maiores desde 20 de setembro de 2024. Para fins comparativos, no mesmo período do ano anterior, o prêmio de exportação para embarque em outubro/25 estava negativo. O preço FOB do farelo de soja no Porto de Paranaguá (PR), por sua vez, registra avanço de 0,6% nos últimos sete dias, para US$ 417,11 por tonelada, atingindo o maior patamar desde 10 de junho de 2024.

No spot nacional, o preço do farelo registra alta de 0,7% no mesmo comparativo. No mercado de óleo de soja, as negociações estão em ritmo lento e os preços, praticamente estáveis. O valor do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra alta de 0,1%, nos últimos sete dias, a R$ 6.934,45 por tonelada. Os preços são sustentados pela valorização externa e pela firme demanda dos consumidores internacionais pelo coproduto brasileiro. Embora as exportações tenham diminuído 36,2% de julho para agosto, o volume escoado no último mês, de 197,22 mil toneladas, foi 30% superior ao exportado no mesmo período do ano anterior. Além disso, na parcial deste ano, até agosto, o Brasil embarcou 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, 43,4% a mais do que no período equivalente do ano passado, segundo dados da Secex. Os preços internacionais da soja em grão são sustentados pela firme demanda da China e pela valorização dos derivados.

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Set/26) da soja registra avanço de 0,7% nos últimos sete dias, a US$ 13,16 por bushel, o maior valor nominal desde 27 de dezembro de 2023. O primeiro vencimento do farelo de soja negociado na Bolsa de Chicago tem alta de 1% nos últimos sete dias, cotado a US$ 342,48 por tonelada, o patamar mais alto desde 1º de outubro de 2024, em termos nominais. No mesmo intervalo, o contrato Set/26 do óleo de soja apresenta alta de expressivos 2,6%, para US$ 1.571,44 por tonelada. A valorização do farelo de soja está atrelada à firme demanda global. Para o óleo, o avanço está relacionado aos conflitos no Oriente Médio e à valorização do petróleo, que incentivam o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel. Vale destacar que o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel. A liquidez no mercado do complexo soja foi limitada pelas expectativas em relação à divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que ocorreu no dia 11 de setembro.

Para a safra 2026/27, o USDA elevou a estimativa de produção de soja nos Estados Unidos para 123,42 milhões de toneladas, 0,35% acima da projeção de agosto e 6,4% superior à temporada 2025/26. A previsão de exportações norte-americanas foi elevada em 680 mil toneladas, para 45,86 milhões de toneladas. Com o aumento dos embarques, a estimativa dos estoques finais dos Estados Unidos foi reduzida de 8,71 milhões para 8,43 milhões de toneladas. O USDA também elevou a projeção do preço médio recebido pelos produtores norte-americanos, para US$ 12,00 por bushel. O aumento da produção norte-americana pressiona os contratos futuros, devolvendo parte dos ganhos da última semana. A redução dos estoques finais dos Estados Unidos, contudo, limita o impacto baixista da maior oferta, especialmente diante da projeção de alta nas exportações norte-americanas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.