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14/Sep/2026

El Niño: Centro-Oeste concentra o risco climático

Segundo a StoneX, a configuração atual do El Niño reduz parte do risco de perdas mais severas nas lavouras brasileiras, embora mantenha elevada a necessidade de monitoramento das chuvas ao longo da safra 2026/27. O aquecimento mais intenso das águas do Pacífico Equatorial está concentrado mais próximo da costa de Peru e Equador, característica que altera o padrão climático normalmente associado ao fenômeno e torna menos direta a relação entre um El Niño forte e uma quebra de produção no Brasil. A concentração do aquecimento mais a leste reduz, mas não elimina, o risco climático. A principal área de atenção é o Centro-Oeste, onde o desempenho das lavouras dependerá principalmente da distribuição e do momento das chuvas, além das temperaturas, que tendem a permanecer acima da média. As projeções indicam condições favoráveis à chegada de umidade ao Centro-Oeste entre o fim de setembro e outubro, cenário que pode permitir um início adequado do plantio da soja.

O estabelecimento da safra dentro do período recomendado também seria favorável ao milho de 2ª safra de 2027, cuja janela de plantio em fevereiro depende do avanço da colheita da soja dentro do calendário. A preocupação aumenta entre setembro e novembro. Padrões históricos de episódios de El Niño com configuração semelhante indicam sinal mais seco no Centro-Oeste nesse período, enquanto a Região Sul do Brasil e a Argentina apresentam tendência de maior umidade. Entre dezembro e fevereiro, contudo, o sinal de chuvas se amplia sobre uma parcela maior das áreas produtoras. Para a soja, essa evolução mantém aberta a possibilidade de produtividade próxima da normalidade. Os volumes médios de chuva entre novembro e janeiro podem alcançar de 8 a 10 polegadas por mês, equivalentes a 203 a 254 milímetros, em parte da região produtora.

Dessa forma, mesmo uma redução expressiva em relação à média histórica não necessariamente resultaria em disponibilidade insuficiente de água para o desenvolvimento das lavouras. A variabilidade regional e temporal das precipitações será determinante. Há registros de temporadas em que a região recebeu aproximadamente metade da precipitação normal e apresentou perdas importantes, mas também de anos em que déficit semelhante terminou com produção próxima da normalidade. O momento e a distribuição das chuvas, portanto, devem ter peso maior do que o volume acumulado isoladamente na definição do potencial produtivo. O risco climático volta a ganhar relevância para o milho de 2ª safra de 2027 entre fevereiro e abril. Os padrões indicam sinal mais seco nesse intervalo, mas a indicação, isoladamente, não permite concluir pela ocorrência de perdas.

As condições mais adversas aparecem com maior clareza na Região Nordeste do Brasil, que possui participação menor na produção nacional de milho de 2ª safra. A experiência de episódios fortes recentes de El Niño reforça a necessidade de atenção. Para 2015 e 2023, soja e milho registraram produtividade nacional abaixo da tendência, com diferenças significativas entre as regiões. Em 2015, a Região Norte apresentou desempenho fraco, enquanto a Região Sul registrou produtividade acima da tendência e o Centro-Oeste teve rendimento aproximadamente 5% inferior à tendência. As perdas de milho foram mais acentuadas justamente no Centro-Oeste. O comportamento climático na Região Centro-Oeste tende a ser um dos principais fatores para determinar o resultado da produção brasileira na safra 2026/27. A configuração atual do El Niño reduz parte do risco de um cenário de perdas generalizadas, mas não elimina a possibilidade de impactos regionais, principalmente caso as chuvas ocorram de forma irregular ou cheguem fora das janelas críticas para soja e milho de 2ª safra de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.