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14/Sep/2026

Grãos: cortes do USDA ficam aquém do esperado

Os cortes promovidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) de setembro ficaram abaixo do que o mercado já havia precificado. A reação negativa das cotações de milho e soja após a divulgação do documento refletiu principalmente o elevado grau de otimismo incorporado aos preços antes do relatório, em um cenário de posições líquidas compradas elevadas dos fundos, e não uma deterioração expressiva dos fundamentos. Os números divulgados foram menos baixistas do que o mercado esperava. No milho, o USDA reduziu a produtividade projetada para a safra norte-americana de 11,34 toneladas por hectare para 11,20 toneladas por hectare. Os estoques finais foram revisados de 41,98 milhões de toneladas para 39,79 milhões de toneladas. Apesar dos cortes, os números ficaram acima das expectativas do mercado. Na soja, o USDA elevou a produtividade de 3,54 toneladas por hectare para 3,55 toneladas por hectare.

Os estoques finais foram projetados em 8,43 milhões de toneladas ante 8,71 milhões de toneladas em agosto. Ainda assim, a estimativa ficou acima do esperado pelo mercado. A posição dos fundos ajuda a explicar a intensidade da reação dos preços. Os gestores de recursos acumulavam posição líquida comprada recorde no milho e próxima das máximas históricas na soja. Com esse posicionamento, números apenas menos favoráveis do que o esperado podem estimular realização de lucros, mesmo sem alteração significativamente baixista dos fundamentos. O fato de a divulgação ter ocorrido em uma sexta-feira também contribuiu para a redução de exposição por parte dos investidores antes do fim de semana. No milho, também se identifica possíveis distorções nas estimativas do USDA para consumo em ração e uso residual. O Wasde desta sexta-feira reduziu em 3,81 milhões de toneladas a projeção desse consumo em 2026/27, para 151,14 milhões de toneladas.

Porém, a estimativa para a temporada anterior permanece elevada quando comparada à relação histórica entre o consumo de milho para ração e uso residual e o número de animais consumidores de grãos nos Estados Unidos. A avaliação é de que o comitê responsável pelo Wasde pode ter partido inicialmente de uma estimativa elevada de demanda, considerando a possibilidade de que o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do USDA (NASS) revisasse posteriormente para baixo o tamanho da safra anterior. Como essa redução não ocorreu, o espaço para ajustes nas estimativas de consumo ficou limitado. Nesse cenário, eventuais correções podem ser distribuídas entre os próximos relatórios, em vez de concentradas em uma única revisão. O maior escrutínio sobre a precisão das estimativas do USDA pode reduzir a probabilidade de uma revisão expressiva de uma só vez. A tendência seria de ajustes mais modestos nas projeções de consumo ao longo desta temporada e da próxima, compensando gradualmente o que a empresa considera uma estimativa elevada no ciclo anterior.

Essa interpretação não representa indicação do USDA de que haverá revisão dos números já publicados. Na soja, permanece elevada a incerteza sobre a produtividade efetiva da safra norte-americana. A dificuldade está relacionada principalmente à capacidade dos modelos de rendimento de captar alterações no tamanho dos grãos ocorridas durante agosto. Esse componente pode ter sido prejudicado em partes das Planícies, do oeste e do norte do Meio Oeste dos Estados Unidos, regiões que registraram maior intensidade de calor durante o mês. As estimativas, contudo, ainda são consideradas preliminares, diante da necessidade de avanço da colheita para uma avaliação mais precisa do potencial produtivo. A maior confiança sobre os rendimentos deverá ocorrer a partir de outubro, quando os resultados efetivos da colheita permitirem confrontar as projeções dos modelos com a produtividade observada em campo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.