11/Sep/2026
Segundo a XP Research, as exportações brasileiras de soja para a China devem recuar 8 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de aproximadamente 10% ante o volume estimado para o ciclo atual. A projeção considera a manutenção da atual relação comercial entre China e Estados Unidos e o cumprimento do compromisso chinês de importar cerca de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana. Simultaneamente, a disponibilidade brasileira tende a ficar mais limitada em razão do risco de perdas de produtividade associado ao fenômeno climático El Niño e do aumento da demanda doméstica. O aumento das compras por outros importadores, estimado em cerca de 3 milhões de toneladas, não seria suficiente para compensar a retração dos embarques brasileiros para a China. A combinação de menor oferta e maior demanda interna reduziria a capacidade do Brasil de substituir integralmente as compras chinesas e, ao mesmo tempo, ampliar as exportações para outros mercados.
O movimento representa uma mudança mais ampla na dinâmica do comércio internacional de soja. Com uma parcela maior da produção norte-americana direcionada à China, outros importadores terão menor disponibilidade de soja dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, entraria em 2026/27 com menor capacidade de ocupar integralmente esse espaço. O mecanismo tradicional pelo qual o aumento das compras chinesas de uma origem era compensado por maiores embarques dessa mesma origem para outros mercados tende a funcionar de maneira menos eficiente na próxima safra. No cenário-base, o superávit exportável brasileiro, correspondente ao volume disponível para exportação após o atendimento da demanda interna, deve recuar para 107,7 milhões de toneladas em 2026/27. A XP projeta produção de 174 milhões de toneladas, dentro de uma faixa entre 171 milhões e 176 milhões de toneladas, com aumento de 1,3% da área plantada.
A expansão da área, portanto, não seria suficiente para eliminar os riscos relacionados à produtividade e ao aumento do consumo doméstico. O El Niño constitui um dos principais riscos para a oferta brasileira. O mercado ainda subestima os possíveis efeitos do fenômeno sobre a produtividade das lavouras. Não deve haver redução da área plantada em decorrência das condições climáticas, mas os impactos sobre o rendimento possam ser mais relevantes, especialmente no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O histórico indica que eventos de El Niño não provocaram alterações relevantes nas decisões de plantio no Brasil, mas podem afetar o desempenho produtivo durante o ciclo. Em um cenário climático mais adverso, com perdas de produtividade mais expressivas no Matopiba, o superávit exportável brasileiro poderia cair para 104,4 milhões de toneladas.
Esse nível deixaria pouca margem para acomodar simultaneamente o crescimento do consumo doméstico e a manutenção das exportações projetadas. A redução implícita dos estoques alcançaria 5,6 milhões de toneladas, ampliando a necessidade de ajuste via preços e demanda. A expansão do consumo interno também reduz a disponibilidade para exportação. A entrada em vigor da mistura obrigatória de 16% de biodiesel ao diesel, o B16, a partir de fevereiro de 2027, deve sustentar a demanda por óleo de soja e estimular o processamento doméstico. A XP projeta aumento de 1 milhão de toneladas no esmagamento em relação ao ano anterior e estima que parte do óleo atualmente destinado ao mercado externo seja absorvida pelo consumo brasileiro. A combinação entre menor flexibilidade exportadora do Brasil e maior direcionamento da soja dos Estados Unidos para a China também aumenta a sensibilidade do comércio global a eventuais perdas de produção.
Em um cenário de choque mais intenso na oferta brasileira, cerca de 2,7 milhões de toneladas de demanda poderiam migrar inicialmente para os Estados Unidos. Entretanto, o balanço norte-americano também ficaria mais apertado e não teria capacidade de absorver sozinho todo o ajuste. A XP trabalha com preços da soja entre US$ 13,50 e US$ 14,50 por bushel na Bolsa de Chicago. Nesse intervalo, uma combinação de menor oferta brasileira, demanda doméstica mais forte e estoques reduzidos nos principais países exportadores poderia exigir preços mais elevados para limitar o consumo e restabelecer o equilíbrio do mercado. O cenário reforça o risco de maior volatilidade das cotações caso as perdas de produtividade associadas ao El Niño se confirmem e a China mantenha o ritmo de compras de soja dos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.