11/Sep/2026
Segundo o Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a rentabilidade da soja em Mato Grosso deve recuar 35,05% na safra 2026/27, pressionada pela combinação de custos mais elevados e menor produtividade. O Lajida, indicador de resultado que corresponde ao Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização e mede a geração de lucro da atividade operacional sem os efeitos de financiamentos e impostos, está estimado em R$ 1.069,47 por hectare na próxima safra. Mesmo com esse resultado operacional positivo, a receita projetada não seria suficiente para cobrir o custo total da atividade. O custo total da soja deve alcançar R$ 8.171,41 por hectare em 2026/27, alta de 16,69% ante os R$ 7.003,32 por hectare estimados para 2025/26.
O cálculo considera não apenas os desembolsos diretamente relacionados à produção, mas também o custo de oportunidade do capital investido, correspondente ao retorno que os recursos aplicados em terra, máquinas e outros ativos poderiam gerar em alternativas de investimento. O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne as despesas efetivamente vinculadas à operação da safra, está estimado em R$ 6.012,39 por hectare, avanço de 4,04%. O cenário indica que a receita bruta projetada permanece abaixo do Custo Total, embora a análise pelo COE mostre uma situação de margem operacional positiva, porém mais estreita. Nesse contexto, preço de venda e produtividade serão determinantes para o resultado efetivo da temporada, aumentando a sensibilidade da rentabilidade às condições de mercado e ao desempenho das lavouras. A deterioração do resultado também está relacionada à expectativa de menor produção. O Imea estima área de 13,04 milhões de hectares em 2026/27, praticamente estável ante o ciclo anterior, com expansão de apenas 0,25%.
A produtividade, por outro lado, deve recuar 5,43%, para 62,44 sacas de 60 Kg por hectare, resultando em produção de 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19% ante a temporada anterior. A produtividade projetada ainda incorpora risco climático. O Imea passou a considerar de forma mais estruturada variáveis como precipitação, temperatura, janela de plantio e a ocorrência de fenômenos como El Niño e La Niña em suas estimativas. Historicamente, em anos de El Niño forte, a produtividade média da soja em Mato Grosso ficou abaixo das 62,44 sacas por hectare utilizadas no cenário atual, o que mantém risco de revisão caso as condições climáticas se mostrem desfavoráveis durante o ciclo. A menor oferta deve ocorrer simultaneamente ao aumento do consumo interno no Estado. O Imea projeta demanda de 13,81 milhões de toneladas dentro de Mato Grosso, alta de 1,10%, impulsionada pela ampliação da capacidade de esmagamento e pela demanda por biocombustíveis. Em sentido contrário, as exportações devem recuar 4,98%, enquanto os embarques destinados a outros Estados devem diminuir 15,44%.
Esse balanço mais ajustado deve reduzir de forma significativa os estoques finais. O Imea estima estoques de apenas 120 mil toneladas ao final da safra, queda de 68,42% ante a temporada anterior. A oferta total está projetada em 49,26 milhões de toneladas, praticamente equivalente à demanda total de 49,14 milhões de toneladas, o que deixa uma margem de apenas 120 mil toneladas entre disponibilidade e consumo. Apesar da redução das margens, a comercialização da nova safra está mais adiantada que no mesmo período do ciclo anterior. Até agosto, os produtores mato-grossenses haviam negociado 39,12% da produção estimada para 2026/27, percentual superior ao registrado em igual período da temporada passada. A antecipação das vendas pode reduzir parte da exposição ao risco de preços, mas também limita a capacidade de capturar eventuais altas posteriores, em um cenário de oferta estadual menor e estoques finais mais reduzidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.