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11/Sep/2026

Padrão fitossanitário é relevante para exportações

Segundo a Cargill, a qualidade da soja exportada pelo Brasil exige maior atenção ainda na propriedade rural, especialmente em relação à presença de materiais indesejados e ao teor de umidade dos grãos. Esses fatores podem comprometer a conformidade das cargas destinadas aos compradores internacionais e aumentar os custos ao longo da cadeia. Entre os principais pontos de atenção estão a presença de pragas quarentenárias e de impurezas nas cargas de soja exportadas. Sementes de plantas daninhas e materiais provenientes de outras culturas estão entre os itens que podem gerar problemas para os compradores e custos adicionais associados ao recebimento e à adequação do produto. A questão ganha relevância à medida que os mercados importadores ampliam as exigências fitossanitárias e de conformidade para os embarques brasileiros. O teor de umidade da soja também representa um fator relevante, principalmente nas cargas destinadas à Ásia. A referência utilizada no Brasil é de 14%, enquanto a China trabalha com limite de 13%.

A diferença ganha importância nas viagens marítimas de longa distância, considerando que os embarques brasileiros destinados à China levam cerca de 35 dias e permanecem durante esse período nos porões dos navios. A manutenção da qualidade dos grãos ao longo do transporte passa, portanto, a depender também das condições de umidade da carga no momento do embarque. A preocupação com materiais indesejados ocorre após o Brasil reforçar as inspeções fitossanitárias sobre a soja destinada à China. Em março, o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou a identificação de 19 navios com cargas contendo sementes de ervas daninhas não permitidas pelo país importador. Os casos não comprometiam o padrão de qualidade do grão, mas representavam descumprimento do protocolo fitossanitário estabelecido entre Brasil e China. As inspeções foram intensificadas após reclamações das autoridades chinesas, provocando atrasos nos embarques. No período de ajuste dos procedimentos, a própria Cargill suspendeu temporariamente as exportações brasileiras de soja para a China.

O episódio reforçou a necessidade de maior controle sobre a qualidade e a conformidade das cargas desde a produção até o embarque. A diferença entre os limites de umidade de Brasil e China também permanece como ponto de discussão no setor. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil trabalha com referência de até 14%, enquanto a China adota 13%. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende a manutenção do percentual brasileiro, considerando que uma redução do limite elevaria os custos de secagem e poderia reduzir o peso comercializado pelo produtor. A importância desse parâmetro é ampliada pelo peso da China no mercado externo da soja brasileira. Em 2025, o país respondeu por 79,3% das exportações brasileiras da oleaginosa. Dessa forma, eventuais mudanças nos padrões de umidade ou nos controles fitossanitários aplicados pela China têm potencial para afetar diretamente custos de produção e pós-colheita, fluxo de embarques e competitividade da soja brasileira no principal mercado comprador. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.