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11/Sep/2026

Brasil amplia vantagem na China e pressiona EUA

O avanço do Brasil no mercado chinês de soja aumenta a importância da demanda doméstica dos Estados Unidos para absorver a própria produção, em um cenário de concorrência considerada estruturalmente mais forte por analistas norte-americanos. Embora as avaliações sobre tarifas, política comercial e perspectivas para a China apresentem diferenças, o diagnóstico converge para a necessidade de ampliar o processamento interno de soja nos Estados Unidos, especialmente para a produção de farelo e óleo destinada aos mercados de biocombustíveis. O Brasil exportou 92,79 milhões de toneladas de soja entre janeiro e agosto, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o intervalo, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção recorde de 123 milhões de toneladas, equivalentes a 4,52 bilhões de bushels, na safra 2026/27.

Desse volume, 75,7 milhões de toneladas devem ser destinadas ao processamento interno, enquanto 45,2 milhões de toneladas são projetadas para exportação. A expansão das exportações brasileiras já altera a composição da demanda norte-americana. A ampliação da capacidade de processamento dos Estados Unidos nos últimos três anos deve adicionar mais de 15 milhões de toneladas ao potencial anual de esmagamento. Com o avanço dos mandatos de biocombustíveis, o processamento doméstico responde por cerca de 63% da demanda norte-americana por soja em 2026. Sem o crescimento dos programas de biocombustíveis, a situação de oferta no país seria significativamente mais pressionada. Apesar da expansão do processamento, a demanda doméstica não substitui integralmente a China como mercado para a soja norte-americana. A nova capacidade industrial não seria suficiente para compensar mais de 25 milhões de toneladas anuais de exportações que poderiam ficar em risco em um cenário de perda acentuada do mercado chinês.

A maior participação do Brasil na China é considerada estrutural e está associada à expansão da área cultivada e da produtividade, à melhoria da logística e à escala alcançada pelo País. A competitividade relativa também favorece o Brasil. O dólar valorizado e o real mais desvalorizado aumentaram o custo da soja dos Estados Unidos em comparação com a brasileira. Além disso, a possibilidade de cultivar soja e uma segunda cultura na mesma área ao longo do ano permite ao produtor brasileiro diluir custos fixos, ampliando a vantagem econômica. Essa diferença de competitividade tende a aumentar nos próximos anos e reforça a necessidade de políticas de estímulo à demanda interna de soja nos Estados Unidos. Nesse contexto, exportações e processamento doméstico passam a constituir componentes cada vez mais interdependentes do balanço norte-americano. A indústria de processamento dos Estados Unidos apresenta tendência de expansão estrutural, impulsionada principalmente pelas políticas voltadas ao diesel renovável e aos biocombustíveis.

Para a safra 2025/26, as exportações norte-americanas são estimadas em cerca de 42 milhões de toneladas, o menor volume desde 2012/13, apesar de uma produção relativamente elevada. A China permanece como principal variável de incerteza. As decisões de compra dos processadores chineses continuam condicionadas a preço, frete, margem de processamento, qualidade, disponibilidade e tarifas, além de fatores políticos. Nesse cenário, acordos comerciais podem redirecionar as compras durante determinado período, mas não eliminam permanentemente os fundamentos econômicos que determinam a origem da soja adquirida pelos processadores. Uma recuperação consistente das exportações norte-americanas exigiria, portanto, o retorno de compras regulares por compradores privados chineses, sem dependência de intervenção estatal. Os Estados Unidos anunciaram um compromisso de compra de 25 milhões de toneladas anuais de soja norte-americana pela China até 2028, volume que não havia sido confirmado publicamente pelo governo chinês.

A combinação entre política comercial e fundamentos de mercado pode estabelecer temporariamente um piso para as compras dos Estados Unidos, enquanto preço, frete e margens de processamento deverão continuar determinando os volumes adicionais adquiridos pela China. A perda de participação dos Estados Unidos no comércio global de soja também está inserida em uma reorganização mais ampla dos fluxos comerciais, com maior formação de blocos alinhados política e comercialmente. A relação entre Brasil e China é apontada como parte desse processo de reorganização, ao mesmo tempo em que a expectativa de crescimento da demanda doméstica por biodiesel aparece como um dos principais fatores de sustentação para a soja norte-americana. Outra variável relevante é o ritmo futuro da demanda chinesa. O USDA projeta importações de 115 milhões de toneladas de soja pela China na safra 2026/27, enquanto o adido agrícola dos Estados Unidos em Pequim estima 108 milhões de toneladas.

A diferença reflete preocupações com pressões deflacionárias e fraqueza do consumo na economia chinesa, fatores que recomendam cautela em projeções mais elevadas para as importações do país. O cenário reforça a mudança estrutural no balanço mundial da soja. Para os Estados Unidos, a expansão do processamento interno e da demanda por biocombustíveis reduz parcialmente a dependência das exportações, mas não elimina a necessidade de recuperar competitividade no mercado internacional. Para o Brasil, a consolidação da liderança na China amplia a importância de sua capacidade de produção, logística e oferta exportável, aumentando o peso do País na definição dos fluxos globais de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.