10/Sep/2026
A desaceleração das compras chinesas de soja, a divergência entre as estimativas de produtividade do milho nos Estados Unidos e a continuidade da guerra na região do Mar Negro mantêm o mercado internacional de grãos atento às vésperas do relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta sexta-feira (11/09). A StoneX avalia que os três mercados apresentam fatores distintos de incerteza, com potencial de influenciar preços e fluxos comerciais no curto prazo. Na soja, as compras chinesas perderam ritmo na última semana, com aquisições de cerca de 192 mil toneladas, enquanto um leilão doméstico realizado no país movimentou apenas 68 mil toneladas.
As importações chinesas de soja somaram 12,14 milhões de toneladas em agosto, queda de 1,1% ante igual mês do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, chegaram a 74,1 milhões de toneladas, ante 73,3 milhões de toneladas em igual período de 2025. O Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de soja em agosto, ante 9,3 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. O ritmo mais lento das compras chinesas indica possível mudança na composição da origem dos embarques, com participação proporcionalmente maior da soja brasileira em relação à norte-americana.
No milho, a principal fonte de incerteza está na grande distância entre as projeções de produtividade nos Estados Unidos. A amplitude das estimativas mantém em aberto o tamanho final da safra norte-americana de milho. É possível uma redução da projeção de produtividade do USDA no relatório de setembro, principalmente para o cereal. A definição do rendimento efetivo dependerá do avanço da colheita e da capacidade de os resultados de campo confirmarem ou não as estimativas atualmente disponíveis. As condições das lavouras também permanecem como ponto de atenção. No levantamento mais recente, 56% da área de milho e 58% da área de soja nos Estados Unidos estavam classificadas entre boas e excelentes, ambos os percentuais abaixo das respectivas médias de cinco anos.
No trigo, as iniciativas diplomáticas recentes convivem com a continuidade dos ataques na região do Mar Negro, mantendo elevada a incerteza sobre a oferta e a logística de exportação. Os contatos dos enviados norte-americanos com Rússia e Ucrânia, além de conversa telefônica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump sobre o encerramento do conflito, ocorreram paralelamente a novos ataques. A Rússia voltou a atingir Odessa e Kiev, enquanto a Ucrânia atacou instalações de energia russas e voltou a atingir Novorossiysk. Esse ambiente tem provocado aumento da volatilidade. A volatilidade implícita do trigo na Euronext, em Paris, supera o nível observado no mesmo período de 2022, enquanto na Bolsa de Chicago está próxima da registrada no início da guerra. A incerteza também divide os compradores internacionais: parte procura antecipar as aquisições diante do risco de novas restrições à oferta do Mar Negro, enquanto outra parcela prefere aguardar uma eventual distensão que possa pressionar as cotações para baixo.
O Paquistão abriu licitação para compra de 750 mil toneladas de trigo, enquanto a Líbia confirmou a aquisição de aproximadamente 33 mil toneladas de trigo francês. Em sentido contrário, uma licitação para 85 mil toneladas de trigo duro foi cancelada, evidenciando a divisão entre compradores que buscam garantir o abastecimento independentemente da evolução do conflito e consumidores que consideram possível postergar as compras na expectativa de uma eventual redução dos preços. Do lado da oferta, a Ucrânia concluiu cerca de 98% da colheita de trigo, com 24,9 milhões de toneladas recolhidas, enquanto a Rússia informou 83,5 milhões de toneladas colhidas. As exportações russas de trigo em agosto e setembro ficaram entre 1,6 milhão e 2,1 milhões de toneladas. A Ucrânia embarcou, em agosto, cerca de 650 mil toneladas de trigo, 210 mil toneladas de milho e 254 mil toneladas de canola. Na União Europeia, as exportações de trigo somaram 4,92 milhões de toneladas, ante 4,97 milhões de toneladas em igual período do ano passado.
Os embarques de milho chegaram a 3,6 milhões de toneladas, ante 2,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações de canola alcançaram 680 mil toneladas, ante 620 mil toneladas. Na França, a colheita de milho alcançava 3% da área, com 27% das lavouras classificadas entre boas e excelentes. Alguns produtores relataram produtividade de aproximadamente 1 tonelada por hectare, ante 7 a 10 toneladas por hectare em condições consideradas normais, indicando forte heterogeneidade das condições produtivas. Para a próxima safra, a Ucrânia já havia semeado cerca de 40% da área prevista com canola. A seca, entretanto, permanece como preocupação para o trigo de inverno, enquanto produtores da Europa, da Rússia e da Ucrânia enfrentam relatos de dificuldades financeiras para custear o novo plantio. O cenário adiciona um componente de risco à oferta futura de grãos e oleaginosas na região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.