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09/Sep/2026

Tendência é de estabilidade para os preços da soja

Segundo o Boletim Agro de setembro do Banco do Brasil, o mercado de soja deve atravessar os próximos meses com preços em uma faixa relativamente estável, mas sujeito a episódios de elevada volatilidade, diante da disputa entre uma oferta global confortável e fatores de sustentação, como a demanda chinesa, os prêmios de exportação e os riscos climáticos nas safras dos Estados Unidos e do Brasil. O cenário é de preços oscilando dentro de uma faixa relativamente estável, com movimentos de alta ou baixa condicionados principalmente a alterações nas perspectivas climáticas e no ritmo das compras chinesas. O quadro de oferta segue limitando movimentos mais fortes de valorização.

O balanço mundial caminha para o quinto ano consecutivo de superávit mundial projetado, enquanto o Brasil consolidou uma produção recorde e mantém volumes elevados disponíveis para exportação. Nos Estados Unidos, a perspectiva também é de produção robusta, embora o mercado acompanhe de perto os indicadores de produtividade e a qualidade das lavouras na reta final do ciclo, fator que já provocou episódios de maior oscilação nos preços. Do lado da demanda, a China permanece como o principal vetor de sustentação das cotações. O Banco do Brasil cita o aumento das importações chinesas projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a retomada das compras de soja norte-americana como reforço do peso do país asiático na formação dos preços internacionais.

A atuação mais ativa da demanda chinesa também contribuiu para o fortalecimento recente dos prêmios de exportação, embora a maior competitividade da soja norte-americana no segundo semestre deva ampliar a concorrência com o produto nacional. No Brasil, a ampla disponibilidade de grão segue como contraponto às pressões externas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta exportações de soja em grão de 116,3 milhões de toneladas, alta de 7,5% sobre o ciclo anterior, além de aumento no volume destinado ao esmagamento. O processamento doméstico permanece sustentado pela demanda por farelo e óleo, com maior participação do óleo de soja na composição do biodiesel. Esse quadro contribui para a manutenção de estoques internos confortáveis ao longo do período.

O clima adiciona uma camada extra de incerteza. Destaque tanto para a fase final da lavoura norte-americana quanto para o início do plantio brasileiro de 2026/27, com o avanço do El Niño no radar. Para o trimestre de setembro a novembro, o mercado deve seguir monitorando com maior atenção os riscos de atraso do plantio e irregularidade das chuvas em parte do Centro-Norte do Brasil e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), enquanto o excesso de precipitações na Região Sul também pode gerar desafios operacionais. No mercado doméstico, os preços ganharam força em agosto. A soja subiu 5,7% no mês e encerrou o período a R$ 150,15 por saca de 60 Kg, impulsionada pela demanda firme, pelas condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte, pelas incertezas em torno do El Niño e pela menor disposição dos vendedores brasileiros em negociar. Ainda assim, as cotações acumulavam queda de 1,1% no ano.

Os prêmios de exportação firmes, combinados à demanda aquecida e à oferta mais ajustada, levaram os preços FOB nos portos nacionais aos maiores níveis dos últimos três anos. A produção brasileira estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026 é de 174,9 milhões de toneladas, avanço de 5,3% ante o ciclo anterior, puxado principalmente pelo ganho de 4% na produtividade por hectare. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com volume ainda maior, de 180,5 milhões de toneladas, alta de 5,2%. Entre os principais Estados produtores, Mato Grosso deve registrar crescimento de 1%, enquanto Goiás recua 2,8%. No Sul, o Rio Grande do Sul lidera a expansão, com 34,4%, seguido pelo Paraná, com 2,9%. No Matopiba, o Piauí se destaca, com incremento de 17,1%, enquanto Tocantins deve recuar 1,1%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.