09/Sep/2026
Um corte na produtividade da soja dos Estados Unidos no relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) de setembro, que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará em 11 de setembro, sem redução correspondente nas projeções de exportação e esmagamento, pode levar os estoques finais norte-americanos de 2026/27 para 7,6 milhões de toneladas, e resultar em um balanço mais altista para os preços. Nesse cenário, a produção norte-americana recuaria para 121,9 milhões de toneladas, ante cerca de 123,0 milhões de toneladas estimadas pelo USDA no mês passado. A Stag considera que há risco de uma revisão ainda maior para baixo, diante dos efeitos do calor e da falta de chuva no fim do ciclo sobre o tamanho dos grãos e o peso das vagens.
A avaliação considera a deterioração das lavouras norte-americanas ao longo de agosto. A parcela da soja classificada em condições boas ou excelentes recuou da faixa de 64% a 66% no fim de julho para 58% no fim de agosto, menor percentual em três anos. As chuvas registradas no fim do mês não foram suficientes para justificar a produtividade estimada pelo Pro Farmer Crop Tour, principal levantamento de campo privado sobre a safra dos Estados Unidos. O principal fator de sustentação para um balanço mais apertado está, contudo, na demanda. A Stag não espera que o USDA compense uma eventual redução da produção com cortes nas projeções de exportação ou esmagamento. A China já adquiriu entre 10,5 milhões e 11,5 milhões de toneladas de soja norte-americana, enquanto as compras de outros destinos permanecem próximas do ritmo observado nos últimos dois anos.
Paralelamente, a soja brasileira continua pouco competitiva para entregas no quarto trimestre. A combinação de menor produtividade, sem cortes equivalentes nas exportações ou no esmagamento, resultaria em um balanço norte-americano mais apertado. Ainda é prematuro reduzir a projeção de processamento nos Estados Unidos, diante de metas mais elevadas para biocombustíveis e da expectativa de redistribuição de parte das isenções concedidas a pequenas refinarias. Esses fatores tendem a sustentar a demanda por óleo de soja destinado à produção de biodiesel. Na simulação da Stag, os estoques finais da safra 2026/27 recuariam de 8,7 milhões de toneladas para 7,6 milhões de toneladas. A relação estoque/consumo cairia de 7,0% para 6,1%, aproximando o balanço dos níveis mais apertados observados entre 2021 e 2023.
Para a safra velha, a expectativa é de poucas alterações no relatório de setembro. As vendas acumuladas para exportação somam cerca de 41,8 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 41,4 milhões de toneladas projetados pelo USDA em agosto, o que reduz o espaço para mudanças relevantes na estimativa de embarques de 2025/26. O foco do mercado já se deslocou da safra velha para a nova temporada. A combinação de risco de produtividade menor, demanda externa ainda firme e ausência de sinais de redução no processamento aumenta o potencial de o Wasde de setembro reforçar um cenário de maior aperto no balanço da soja norte-americana em 2026/27, com possível suporte às cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.