02/Sep/2026
Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em alta expressiva nesta terça-feira (1º/09), com o contrato novembro superando o nível de US$ 13,00 por bushel. A continuidade das compras de soja norte-americana pela China permanece como importante fator de sustentação das cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), exportadores reportaram venda de 136 mil toneladas de soja para o país asiático, com entrega prevista para o ano comercial 2026/27, iniciado nesta terça-feira (1º/09). As vendas avulsas realizadas após a recente valorização dos contratos são interpretadas pelo mercado como sinal de determinação chinesa em cumprir as metas de aquisição anunciadas. O vencimento novembro da oleaginosa avançou 29,75 cents, equivalente a 2,31%, e fechou a US$ 13,17 por bushel.
A piora das condições das lavouras norte-americanas também contribuiu para impulsionar os contratos. O USDA informou que 58% da safra de soja dos Estados Unidos apresentava condição boa ou excelente no dia 30 de agosto, recuo de 2% ante a semana anterior. No período correspondente do ano passado, o índice era de 65%. Esta foi a quarta semana consecutiva de deterioração da qualidade das lavouras, enquanto o percentual de 58% representa o menor nível para esta semana do calendário em três anos. No mercado de derivados, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) informou que concedeu isenção a 29 pequenas refinarias do cumprimento das exigências de mistura de biocombustíveis referentes a 2025. Foram concedidas isenções integrais a 18 refinarias e parciais, de 50%, a outras 11, totalizando 1,76 bilhão de créditos de conformidade, conhecidos como RINs.
A decisão, em princípio, teria efeito negativo sobre os preços do óleo de soja, uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel. O derivado, contudo, encerrou a sessão com valorização superior a 2%, refletindo a sinalização da EPA de que pretende propor, até o fim de outubro de 2026, a realocação integral do volume que deixará de ser misturado em decorrência das isenções para as exigências de mistura dos anos de 2026 e 2027. Caso a EPA efetivamente realoque todo esse volume, as isenções tendem a ter impacto praticamente irrelevante sobre a demanda de matérias-primas no longo prazo. A valorização do petróleo também contribuiu para reduzir o impacto negativo inicial do anúncio das isenções sobre o mercado de óleo de soja e seus fundamentos relacionados à demanda por biocombustíveis.