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28/Aug/2026

Bolsa de Chicago: El Niño e China sustentam alta

O Citi elevou para US$ 12,75 por bushel sua projeção para a soja na Bolsa de Chicago nos próximos três meses e passou a projetar US$ 13,25 por bushel para a commodity em 12 meses. A perspectiva é sustentada pela combinação de demanda chinesa, riscos climáticos associados ao El Niño, custos elevados de energia e fertilizantes e expansão do uso de biocombustíveis. O banco mantém perspectiva positiva para grãos e oleaginosas nos próximos seis a 12 meses e avalia que diferentes riscos de oferta começam a convergir. Entre os fatores estão o fortalecimento do El Niño, as interrupções no comércio pelo Mar Negro, o aumento da demanda por biocombustíveis e os custos elevados de produção. A China é um dos principais fatores desse cenário.

A China deve cumprir o compromisso de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos e adquirir outras 5 milhões a 8 milhões de toneladas, elevando o total para entre 30 milhões e 33 milhões de toneladas no ano comercial 2026/27. A visita anunciada do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington no fim de setembro aumenta a probabilidade de cumprimento desses compromissos. Uma eventual redução das compras, porém, é apontada como um dos principais riscos ao cenário altista. Nesse caso, uma retomada das tensões comerciais entre os dois países poderia provocar forte retração das exportações norte-americanas.

O clima adiciona outro fator de alta. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) atribui probabilidade superior a 90% à ocorrência de um El Niño muito forte e estima em 69% a chance de que o evento supere em intensidade todos os episódios registrados desde 1950 entre outubro e dezembro. O fenômeno é o principal risco agrícola para o fim de 2026 e início de 2027. Para a soja, a maior atenção está voltada à América do Sul. Um El Niño forte pode provocar excesso de chuva em algumas regiões, atrasar o plantio, dificultar os trabalhos de campo e aumentar a pressão de doenças, enquanto outras áreas podem enfrentar calor e déficit de umidade.

A Argentina, por outro lado, pode se beneficiar de maior disponibilidade hídrica nas principais regiões produtoras. No Brasil, há riscos associados aos custos dos insumos. As importações de fertilizantes estão 11% abaixo das registradas um ano antes às vésperas do início do plantio da soja. Segundo o banco, o movimento pode indicar maior resistência dos produtores à expansão de área e eventual utilização de produtos de menor qualidade. Energia e fertilizantes representam mais de 60% dos custos variáveis dos produtores no Brasil e na Argentina, ante cerca de 40% nos Estados Unidos. Outro fator de suporte pode vir do mercado de óleos vegetais.

Condições mais secas associadas ao El Niño podem reduzir a produção de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, responsáveis por cerca de 85% das exportações globais do produto. Uma oferta menor de óleo de palma tende a deslocar demanda para o óleo de soja, melhorar as margens de esmagamento e ampliar a procura pela oleaginosa. Apesar da perspectiva altista, a produção de soja dos Estados Unidos permanece elevada em termos históricos e que uma frustração nas compras chinesas ou condições climáticas mais favoráveis podem limitar a valorização. Ainda assim, o balanço de riscos para grãos e oleaginosas continua inclinado para preços mais altos nos próximos seis a 12 meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.