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28/Aug/2026

Brasil: estimativa da produção na safra 2026/2027

Segundo o Rabobank, a produção brasileira de soja deve recuar para 178 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante o recorde de 182 milhões de toneladas projetado para o ciclo atual, enquanto a área plantada deve permanecer praticamente estável no País. O movimento interrompe mais de duas décadas de expansão contínua da área cultivada. A estabilidade da área plantada reflete a menor rentabilidade no campo, os custos financeiros mais elevados, o crédito mais restrito e a maior cautela dos produtores. A redução da produção deve ocorrer principalmente pela normalização dos rendimentos, após dois anos de produtividade considerada excepcional.

A possível ocorrência do fenômeno climático El Niño e a volatilidade dos custos dos insumos permanecem entre os principais riscos para o próximo ciclo. O cenário contrasta com o desempenho esperado para a cadeia de soja em 2025/26. Apesar das margens mais apertadas dos produtores, o Rabobank projeta recordes de produção, exportação e processamento. A colheita é estimada em 182 milhões de toneladas, enquanto os embarques podem alcançar 114 milhões de toneladas, sustentados pela competitividade da soja brasileira e pela forte demanda internacional. No mercado doméstico, o esmagamento deve atingir 63 milhões de toneladas, 4 milhões de toneladas acima do registrado no ano passado.

Mesmo com o adiamento da mistura obrigatória de 16% de biodiesel ao diesel, o B16, a valorização do óleo de soja, impulsionada pelos preços mais elevados do petróleo, tem sustentado margens atrativas para a indústria de processamento. A disputa comercial entre Estados Unidos e China será uma das principais variáveis para os próximos meses. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para setembro, será acompanhado de perto pelo mercado. Avanços nas negociações podem ampliar as compras chinesas de soja norte-americana, enquanto a manutenção das tensões tende a preservar a competitividade do produto brasileiro e sustentar as exportações do País. A oferta dos Estados Unidos também tende a ganhar atratividade à medida que os prêmios de exportação nos portos brasileiros se recuperam.

Esse movimento deve reduzir a competitividade da soja brasileira, principalmente em relação ao produto norte-americano, e pode limitar as margens de esmagamento no segundo semestre de 2026. No curto prazo, contudo, a menor demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos ainda favorece o Brasil. O esmagamento norte-americano deve atingir nível recorde em 2025/26, mas as exportações tendem a recuar, reforçando a procura pela soja brasileira. Em Rondonópolis (MT), as cotações avançaram 5% no início de agosto em relação ao mês anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.