27/Aug/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em alta nesta quarta-feira (26/08), sustentados principalmente por uma nova venda avulsa de soja norte-americana para a China. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que exportadores relataram a venda de 333 mil toneladas de soja ao país asiático, com entrega prevista para o ano comercial 2026/27. O vencimento novembro avançou 28,25 cents, ou 2,28%, e fechou a US$ 12,66 por bushel. A sustentação das cotações está mais associada à demanda do que à oferta. O cenário é reforçado pelo ritmo das vendas externas dos Estados Unidos e pela continuidade das compras chinesas, enquanto a expectativa de uma safra norte-americana volumosa limita parte do potencial de valorização.
O desempenho do farelo de soja também contribuiu para a alta do grão. O derivado avançou mais de 3%, acompanhando a valorização do milho. Uma produção menor de milho nos Estados Unidos pode permitir que outros ingredientes ocupem parte do espaço do cereal no mercado de rações, favorecendo a demanda por farelo de soja. A valorização do dólar ante o Real, por outro lado, limitou uma alta mais acentuada, ao estimular a competitividade das exportações brasileiras. De acordo com a estimativa mais recente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deverá embarcar 10,25 milhões de toneladas de soja em agosto, volume 26,4% superior aos 8,11 milhões de toneladas exportados em agosto de 2025.
As cotações também encontraram resistência na perspectiva de uma safra norte-americana elevada. A Pro Farmer estimou a produção de soja dos Estados Unidos em 124,44 milhões de toneladas, com produtividade de 3,585 toneladas por hectare. No início de agosto, o USDA havia projetado a produção em 123 milhões de toneladas, com rendimento de 3,544 toneladas por hectare. O mercado permanece, portanto, dividido entre uma demanda externa mais firme, especialmente da China, e a expectativa de ampla oferta nos Estados Unidos. Esse balanço mantém a demanda como principal fator de sustentação das cotações, enquanto as projeções de produção elevada limitam o avanço dos preços.