27/Aug/2026
Segundo a Standard Grain, a soja na Bolsa de Chicago encontra sustentação principalmente na demanda, em contraste com o milho. A carteira de vendas externas da nova safra norte-americana apresenta o melhor desempenho em quatro anos para esta época, enquanto o esmagamento doméstico permanece em nível recorde e as compras externas, possivelmente com participação da China, continuam dando suporte às cotações. Eventuais perdas associadas ao Pro Farmer Crop Tour já foram absorvidas pelo mercado. O levantamento indicou produtividade da soja superior à esperada por alguns participantes, mas as cotações voltaram a se aproximar das máximas de várias semanas. A avaliação é que o movimento recente da oleaginosa não apresenta as mesmas características do rali observado no milho.
No milho, a alta recente é associada à oferta, diante da percepção de que a safra norte-americana pode ficar abaixo da tendência. Na soja, a sustentação está relacionada ao consumo. As estimativas de produtividade permanecem elevadas, reduzindo a característica de um movimento impulsionado pela restrição de oferta. A demanda doméstica constitui um dos principais pilares do mercado. O esmagamento de soja nos Estados Unidos está em nível recorde, reduzindo a disponibilidade potencial para exportação e tornando mais relevante o aumento das vendas externas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou uma nova venda avulsa de 136 mil toneladas de soja, para destinos não revelados, com entrega no próximo ano comercial.
O destino pode ser a China ou outro comprador, mas o desempenho geral das exportações permanece positivo. As vendas externas norte-americanas de soja da nova safra estão 144% acima do mesmo período do ano passado. A base de comparação é baixa, pois os Estados Unidos apresentavam poucas vendas registradas nesse momento do calendário em 2025. Mesmo considerando esse efeito, o ritmo atual é considerado forte em perspectiva histórica recente. O volume de vendas está acima do registrado no mesmo período dos últimos dois anos e três anos e, para encontrar nível superior, é necessário recuar quatro anos. A demanda chinesa permanece como principal fator de sustentação. O programa de exportação da nova safra apresenta melhora significativa em relação ao mesmo período do ano passado, reforçando o suporte às cotações.
A demanda ajuda a neutralizar o efeito baixista associado à expectativa de uma safra norte-americana maior. A Pro Farmer projetou produtividade nacional recorde de soja nos Estados Unidos, em 3,58 toneladas por hectare produção de 127,9 milhões de toneladas. As estimativas ficaram acima das projeções do USDA. Mesmo diante de uma perspectiva de oferta mais confortável, a soja não devolveu os ganhos recentes. A leitura é que os operadores estão atribuindo maior peso ao esmagamento doméstico recorde, à melhora das exportações e à participação chinesa do que à estimativa de produção mais elevada. O mercado também começa a incorporar discussões sobre a produção brasileira. A Standard Grain relata expectativas de que a expansão da área de soja no Brasil possa ser mais moderada do que nos últimos anos.
Embora os fatores que sustentam essa avaliação não tenham sido detalhados, o tema já aparece nas discussões de mercado. Uma expansão menor da área brasileira reduziria parte da pressão de oferta global na temporada 2026/27. No milho, o cenário é diferente. O mercado está, ao menos por enquanto, convencido de que os produtores norte-americanos deverão colher uma safra abaixo da tendência. A distinção entre os dois mercados é resumida pela relação entre ralis de oferta e de demanda. Movimentos associados à demanda tendem a receber maior sustentação dos participantes, enquanto altas provocadas por restrições de oferta também podem avançar significativamente antes de uma eventual realização de lucros. No milho, portanto, a percepção de uma safra abaixo da tendência não implica venda imediata, já que um rali de oferta pode ganhar intensidade acima das expectativas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.