27/Aug/2026
A Stag International avalia que a Pro Farmer pode ter superestimado a produtividade da soja nos Estados Unidos ao projetar rendimento acima da estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O resultado final da expedição de safra reduziu parte da pressão altista na Bolsa de Chicago, mas não encerrou a discussão sobre o tamanho da produção norte-americana. As contagens de vagens recuaram em seis dos sete Estados percorridos, enquanto as condições das lavouras permanecem piores do que no ano passado em boa parte do cinturão produtor. A Pro Farmer estimou a produtividade nacional da soja em 3,58 toneladas por hectare, acima das 3,54 toneladas por hectare projetadas pelo USDA no relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) de agosto. A diferença chama atenção porque, no milho, a leitura foi oposta. A avaliação da Pro Farmer considera que a soja apresenta maior capacidade de recuperação no fim do ciclo em comparação com o milho.
A umidade do solo em parte do Meio Oeste seria suficiente para sustentar o enchimento de vagens entre agosto e setembro, enquanto a oleaginosa teria maior flexibilidade para compensar estresse tardio. A fixação biológica de nitrogênio também ajudaria a proteger a cultura de parte das perdas que atingiram o milho em áreas de Illinois e Indiana. A Stag, porém, identifica fragilidades nessa interpretação. A piora das condições da soja aparece de forma ampla nos principais Estados produtores, e não apenas em áreas isoladas, enquanto a redução das contagens de vagens foi disseminada ao longo do Crop Tour. As quedas foram de 20,4% em Dakota do Sul, 9,5% em Nebraska, 7,0% em Ohio, 4,1% em Indiana, 3,3% em Illinois e 1,6% em Iowa. Minnesota foi o único Estado a registrar avanço na comparação anual. A comparação com anos anteriores reforça a necessidade de cautela. Quando as condições climáticas reduzem de forma relevante o potencial produtivo do milho, algum grau de perda também costuma aparecer na soja, embora essa relação não seja automática.
A Stag considera que 2026 apresenta maior semelhança com 2022, quando a soja dependia de uma recuperação tardia após contagens de vagens mais fracas, do que com 2024, marcado por contagens de vagens fortes e enchimento favorável desde o início do ciclo. Em 2022, a Pro Farmer também estimou produtividade da soja acima do rendimento final da oleaginosa. A consultoria acrescenta que a estimativa da expedição para a soja apresenta, historicamente, relação menos confiável com revisões posteriores do USDA do que a leitura realizada para o milho. Áreas mais estressadas, especialmente no oeste do cinturão produtor, receberam chuvas benéficas em agosto, com potencial para favorecer o enchimento de vagens e o peso dos grãos. O principal ponto de incerteza é quanto do estresse acumulado anteriormente poderá ser efetivamente revertido até a colheita. Para a consultoria, o piso da produtividade permanece menos definido e dependerá da evolução das vagens, do peso dos grãos e das condições das lavouras nas próximas semanas.
Essa avaliação altera o balanço de riscos para a Bolsa de Chicago. Como a surpresa baixista de oferta já foi incorporada com a estimativa de 3,58 toneladas por hectare, o espaço para nova queda dos preços provocada por uma produtividade maior parece limitado. Em contrapartida, qualquer evidência de que a recuperação tardia tenha sido insuficiente poderá provocar uma reprecificação altista mais forte. Nos níveis atuais, a probabilidade de alta é maior do que a de baixa durante o processo de definição da produtividade norte-americana. A principal variável a ser monitorada será a eficácia das chuvas recentes sobre o enchimento das vagens e o peso dos grãos. Até que essa resposta esteja disponível, a estimativa da Pro Farmer deve ser considerada com cautela. O número de 3,58 toneladas por hectare retirou parte do prêmio de risco no curto prazo, mas pode ter deixado o mercado mais vulnerável a novas altas caso os próximos relatórios do USDA indiquem produtividade abaixo do esperado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.