26/Aug/2026
A persistência de temperaturas elevadas e o severo déficit hídrico registrado entre julho e meados de agosto na Europa Ocidental e na maior parte da Europa Central reduziram de forma expressiva o potencial produtivo das culturas de verão. As estimativas de produtividade foram revisadas em até 14% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo o Centro Conjunto de Pesquisas (JRC), da Comissão Europeia, no relatório mensal de monitoramento agrícola JRC MARS Bulletin, divulgado em 24 de agosto. O calor contínuo acelerou o ciclo fenológico das plantas, prejudicou o enchimento de grãos e antecipou a senescência das lavouras de milho, soja, girassol e tubérculos em diversos países da União Europeia (UE). A estimativa de produtividade média do milho na UE foi revisada para 6,61 toneladas por hectare (t/ha), 7% abaixo da média dos últimos cinco anos e 5% inferior à projeção do boletim de julho.
As perdas mais acentuadas ocorreram na França, onde a estimativa caiu para 6,50 t/ha, 28% abaixo da média quinquenal e em nível historicamente baixo. Na Hungria, a seca reduziu a produtividade projetada para 3,85 t/ha, queda de 34% ante a média. Na Itália, a estimativa recuou para 8,39 t/ha (-15%); na Alemanha, para 8,46 t/ha (-13%); na República Tcheca, para 6,99 t/ha (-19%); e na Áustria, para 8,84 t/ha (-15%). A Romênia apresentou evolução positiva no quadro nacional, favorecida pelo desempenho no leste do país, com produtividade estimada em 4,46 t/ha, alta de 11% ante a média dos últimos cinco anos. No oeste romeno, entretanto, as lavouras continuam submetidas a severo estresse hídrico. Na soja, o JRC também promoveu forte redução nas projeções. A produtividade média da UE foi estimada em 2,31 t/ha, retração de 14% em relação à média quinquenal e de 12% ante a previsão anterior.
A França apresentou a situação mais fragilizada, com produtividade projetada em 1,75 t/ha, queda de 30% ante a média. Também foram registradas revisões negativas na Áustria, para 2,58 t/ha (-12%); na Hungria, para 1,91 t/ha (-19%); na Itália, para 2,65 t/ha (-17%); e na Eslováquia, para 1,80 t/ha (-17%). Em contraste com as culturas de verão, a colheita dos cereais de inverno estava praticamente concluída em condições gerais favoráveis, com produtividades acumuladas na UE próximas da média dos últimos cinco anos. A produtividade total de trigo foi mantida em 5,68 t/ha, estável em relação à média quinquenal. O trigo brando apresentou rendimento de 5,88 t/ha, enquanto o trigo duro alcançou 3,56 t/ha, alta de 2%. A produtividade total da cevada foi estimada em 5,02 t/ha, também estável ante a média. A cevada de inverno atingiu 5,12 t/ha, enquanto a cevada de primavera apresentou 4,78 t/ha, alta de 1%.
Fora da UE, o JRC destacou perspectivas favoráveis para a Ucrânia, com produtividade do trigo estimada em 4,74 t/ha, 10% acima da média dos últimos cinco anos, e do milho em 8,00 t/ha, alta de 13%. Na Turquia, a projeção indica aumento de 19% na produtividade do trigo, para 3,43 t/ha, e de 39% na cevada, para 3,26 t/ha. O relatório também aponta prejuízos severos à produtividade das pastagens na França, no sul da Alemanha, no Benelux e na Irlanda. A redução da disponibilidade de forragem direta elevou as preocupações com o abastecimento alimentar dos rebanhos bovinos durante o outono e o inverno. O cenário já provocou a conversão de áreas destinadas ao milho-grão para milho destinado à silagem na França e relatos de abate precoce de bovinos em regiões do sul da Alemanha. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.