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25/Aug/2026

Farelo de Soja: aperto no Brasil sustenta o prêmio

Segundo a Stag International, a dificuldade das esmagadoras brasileiras para originar soja suficiente e cumprir contratos de farelo já fechados para o quarto trimestre deve manter firmes os prêmios sul-americanos até o fim do ano. Entretanto, o aumento da oferta de farelo nos Estados Unidos tende a limitar o espaço para novas altas dos contratos futuros. A restrição no Brasil está concentrada na disponibilidade de soja para as esmagadoras, e não na oferta física de farelo. O principal entrave é o preço necessário para retirar o grão das mãos dos produtores. A retenção de estoques tem sustentado as cotações no mercado interno, pressionando as margens de esmagamento e elevando o custo das indústrias que venderam farelo a termo e precisam garantir matéria-prima para cumprir os compromissos. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram os preços recebidos pelos produtores em Sorriso (MT) em trajetória de alta desde julho, acima dos níveis registrados no mesmo período de 2024 e 2025.

A disputa dos compradores por um volume mais restrito no mercado interno reduz o incentivo para que os produtores acelerem a comercialização. Diante desse cenário, a Stag reduziu suas projeções para o esmagamento e as exportações brasileiras de farelo de soja. A estimativa para os embarques foi reduzida em 900 mil toneladas, com parte desse volume redistribuída entre Argentina e Estados Unidos no balanço global. Para outubro, o prêmio FOB é estimado em cerca de US$ 30,00 por tonelada curta no Brasil, ante US$ 23,00 por tonelada curta nos Estados Unidos e US$ 18,00 por tonelada curta na Argentina. A maior competitividade da Argentina tende a limitar o espaço para novas altas dos prêmios na América do Sul. O país ainda dispõe de estoques de soja não precificados que podem ser direcionados ao esmagamento. Nos Estados Unidos, a chegada da nova safra deve ampliar a disponibilidade de matéria-prima para as indústrias. A pressão no Brasil está concentrada nas esmagadoras, e não nos exportadores. A base da soja não avançou na mesma proporção dos prêmios do farelo, indicando que o aperto decorre da dificuldade das indústrias para assegurar matéria-prima e cumprir vendas previamente contratadas.

Nos Estados Unidos, o aumento da oferta tende a mais do que compensar a redução projetada para os embarques brasileiros. A Stag estima crescimento de cerca de 5,5% na produção norte-americana de farelo no quarto trimestre ante igual período do ano anterior, equivalente a aproximadamente 800 mil toneladas curtas, ou 725 mil toneladas métricas. O avanço da produção norte-americana é atribuído à expansão do esmagamento associada à demanda por óleo de soja e ao mandato de biocombustíveis, e não a uma elevação equivalente da demanda mundial por farelo. As vendas semanais de exportação da nova safra dos Estados Unidos ainda não apresentaram aceleração relevante, mesmo após a recente queda dos prêmios FOB no país. O principal descompasso do mercado está na diferença entre a oferta adicional esperada nos Estados Unidos e a evolução da demanda física. A chegada da nova safra e o aumento do esmagamento norte-americano devem ampliar a disponibilidade de farelo, enquanto os contratos futuros permanecem sustentados pela expectativa de migração de parte da demanda global do Brasil para os Estados Unidos e pela possibilidade de compras adicionais da Europa.

Nesse contexto, o espaço para novas altas dos contratos futuros é limitado. Sem aceleração correspondente da demanda física, uma valorização adicional na Bolsa de Chicago tende a ser compensada por prêmios FOB mais fracos, comprimindo a base em vez de promover aumento sustentado dos preços finais do farelo. A avaliação não implica recuperação imediata da oferta brasileira. Com o início do plantio de soja no Brasil nas próximas semanas, a comercialização dos produtores deverá ficar mais sensível às previsões climáticas. Um padrão mais chuvoso, favorável à semeadura e ao desenvolvimento inicial das lavouras, poderá estimular a retomada das vendas tanto da safra velha quanto da nova. Até que esse movimento ocorra, a retenção de soja tende a manter viés de alta para os prêmios brasileiros de farelo e oferecer algum suporte aos contratos futuros. Destaque para a desaceleração recente do crescimento do consumo doméstico nos Estados Unidos, fator que amplia a incerteza sobre a demanda justamente no momento em que a nova safra deve elevar a disponibilidade de farelo no país. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.