24/Aug/2026
O mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago mantém o foco no tamanho da safra dos Estados Unidos, mas a demanda ganhou maior peso na formação dos preços porque o país dispõe de menor margem para absorver eventual perda de produtividade. A StoneX avalia que o ritmo recorde de esmagamento doméstico reduziu o volume disponível para exportação justamente em um momento de aumento das compras da China. O relatório semanal de vendas externas dos Estados Unidos registrou 63 milhões de bushels, equivalentes a cerca de 1,7 milhão de toneladas, em vendas da nova safra, principalmente para a China. Com isso, as vendas externas acumuladas de soja norte-americana alcançaram o maior nível em quatro anos. A comparação com 2022 mostra a mudança no perfil da demanda. Naquele ano, os Estados Unidos esmagavam 15,5 milhões de toneladas a menos de soja. O maior consumo doméstico destinado à produção de farelo e óleo reduz o volume disponível para embarques e torna o atual ritmo de exportações mais relevante para o balanço de oferta e demanda.
A menor margem para exportação aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais cortes de produtividade. Em anos de oferta mais confortável, uma safra menor poderia ser absorvida por meio da redução das exportações. No ciclo atual, o consumo doméstico recorde limita esse mecanismo de ajuste, reduzindo a disponibilidade para o mercado externo. A China continua adquirindo soja dos Estados Unidos mesmo diante de uma desvantagem de preço em relação ao produto brasileiro. A soja norte-americana chega aos portos chineses mais cara que a brasileira, antes mesmo da consideração de eventuais tarifas. Nesse cenário, fatores políticos e comerciais têm peso relevante na manutenção das compras. Contatos na China consideram provável o cumprimento do compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana firmado em outubro de 2025 com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Até a reunião prevista entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, em setembro de 2026, a expectativa é de que a China esteja próxima de cumprir 60% dessa meta. O encontro deverá ser relevante para a continuidade do ritmo de compras até o fim do compromisso. A demanda chinesa também pode ser influenciada por fatores agrícolas. O risco de El Niño para a próxima safra brasileira é acompanhado pela China, que monitora as condições climáticas e produtivas da América do Sul. Eventuais incertezas sobre a produção brasileira podem estimular a busca por cobertura adicional de soja nos Estados Unidos. No lado da oferta, a avaliação é de que a safra norte-americana é boa. Os problemas identificados pelo Pro Farmer Crop Tour são considerados relevantes para produtores de determinadas áreas, mas a formação das expectativas no mercado futuro considera principalmente o quadro nacional. Nesse contexto, uma safra apenas ligeiramente inferior à demanda pode ser suficiente para reduzir ainda mais a disponibilidade no balanço norte-americano.
O tamanho dos grãos é apontado como um dos principais fatores para a definição da produtividade da soja em agosto. A contagem de vagens nos levantamentos de campo não se converte automaticamente em produtividade, pois o enchimento final das sementes pode compensar parte das perdas observadas nas etapas anteriores. As estimativas de produtividade consideram tamanho normal dos grãos e das sementes, mas a variação nesse parâmetro pode alterar significativamente o resultado final. Em áreas com condições favoráveis durante o período de enchimento em agosto, a produtividade pode ficar entre 5% e 10% acima do indicado pelas contagens iniciais. Em contrapartida, uma nova onda de calor poderia reduzir o potencial produtivo. No momento, o padrão climático é mais frio e úmido nos Estados Unidos, condição que tende a favorecer o enchimento das sementes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.