21/Aug/2026
Segundo a Datagro, os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago acumulam alta de quase 20% em 12 meses, refletindo um balanço global de oferta e demanda mais ajustado. Somente nos primeiros dias de agosto, a valorização já se aproxima de 5%. O risco de El Niño e os estoques mais baixos aumentam a sensibilidade do mercado a eventuais problemas de produção, com potencial de sustentação adicional para as cotações. Três fatores concentram a atenção do mercado: a proximidade de um El Niño, com 80% de probabilidade de ocorrência entre outubro e dezembro; a volatilidade do petróleo associada aos conflitos no Estreito de Ormuz; e as compras antecipadas de soja norte-americana da safra 2026/27 pela China. Entre os fatores de contenção, o câmbio permanece como principal limitante para novas altas. O dólar mais forte reduz a competitividade das exportações dos Estados Unidos e restringe o avanço das cotações na Bolsa de Chicago.
Nos Estados Unidos, o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou área plantada acima do esperado e rendimento estável em relação ao ciclo anterior, cenário que projeta a maior colheita norte-americana já registrada. Apesar do aumento da produção, os estoques devem permanecer relativamente estáveis, entre 8,7 milhões e 8,9 milhões de toneladas. O equilíbrio é sustentado pelo esmagamento destinado à produção de biocombustíveis e pela retomada das compras chinesas. Focos de seca na parte oeste dos Estados Unidos também já são considerados pelo mercado nas cotações. No Brasil, o balanço é mais ajustado. O estoque final é projetado em queda de 4,6 milhões para 2,6 milhões de toneladas, resultando em déficit próximo de 3 milhões de toneladas no balanço nacional, mesmo com a produção estimada em 185,6 milhões de toneladas. Esse cenário aumenta a exposição do mercado brasileiro a eventuais perdas de produtividade, em um ambiente de demanda elevada por soja, sustentada pelo avanço do esmagamento doméstico e pela manutenção de exportações em níveis elevados para a China e outros compradores.
Na comparação global, a relação estoque-consumo deve ficar próxima de 28%, patamar semelhante ao observado nos ciclos 2021/22 e 2022/23, após dois anos consecutivos de redução. O aperto do balanço também se reflete nos prêmios pagos pela soja brasileira no porto de Paranaguá, atualmente acima da média dos últimos cinco anos. Nos últimos dois meses, os prêmios variaram entre US$ 1,00 e US$ 1,50 por bushel, indicando competitividade da soja brasileira no mercado internacional. A combinação de oferta mais ajustada, estoques menores e demanda crescente pode indicar uma mudança de ciclo nas commodities agrícolas, embora ainda seja prematuro confirmar essa tendência. Após três a quatro anos de queda, os preços internacionais dos grãos apresentam sinais de recuperação e podem alcançar, em 2027, níveis mais firmes do que os observados em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.