21/Aug/2026
Segundo análise da EarthDaily, o avanço do calor e a redução da umidade do solo na Região Centro-Oeste colocam o retorno das chuvas de setembro no radar para o plantio da soja 2026/27, enquanto a Região Sul do País deve permanecer sob um padrão mais úmido. Modelos meteorológicos projetam temperaturas até 7°C acima da média em algumas áreas do Brasil nos próximos dias, em um cenário que apresenta sinais de influência do El Niño. Em Mato Grosso, Goiás e partes de Mato Grosso do Sul, a umidade do solo recuou no início de agosto, comportamento ainda compatível com o período seco. A situação exige maior atenção caso as chuvas demorem a retornar em setembro. Para o fim de agosto, o modelo meteorológico europeu ECMWF indica avanço do déficit de umidade principalmente na Região Centro-Oeste e em áreas da Região Sudeste. O calor tende a acelerar a perda de água do solo. Tanto o ECMWF quanto o modelo meteorológico norte-americano GFS projetam temperaturas acima da normalidade em grande parte do País na última semana de agosto.
O GFS indica o cenário mais intenso, com máximas próximas de 40°C em áreas do Centro-Sul. Na Região Sul, o cenário é oposto, com a região concentrando os maiores volumes de chuva nos próximos dias, enquanto os acumulados tendem a ser menores no restante do País. Entre 1º e 15 de agosto, a umidade do solo permaneceu acima da média em boa parte das áreas produtoras de trigo, condição favorável ao desenvolvimento das lavouras, mas que aumenta o risco de ocorrência de doenças em áreas mais adiantadas. No Rio Grande do Sul, a continuidade das precipitações também representa risco ao potencial produtivo do trigo. Em 2023, sob influência do El Niño, os elevados acumulados entre setembro e novembro prejudicaram as lavouras. A persistência de um padrão mais úmido nos próximos meses, portanto, permanece como ponto de atenção para o ciclo atual.
Chuvas frequentes podem elevar a incidência de doenças e reduzir a quantidade de radiação solar recebida pelas plantas. Caso o padrão persista em etapas posteriores do ciclo, o excesso de umidade também poderá comprometer a qualidade dos grãos e dificultar as operações de colheita. Na região canavieira do Centro-Sul, o tempo quente e seco produz efeitos distintos. A previsão de precipitações diárias inferiores a 1 milímetro favorece a maturação da cana-de-açúcar, a concentração de açúcares e o avanço da colheita. Em contrapartida, uma sequência prolongada de calor e baixa precipitação pode reduzir ainda mais a umidade do solo e dificultar a rebrota das áreas recém-colhidas. A recuperação da baixa umidade do solo observada em parte do Centro-Oeste dependerá do comportamento das chuvas em setembro. A evolução desse cenário poderá influenciar diretamente o calendário de início da semeadura da soja 2026/27, especialmente nas áreas em que o déficit hídrico se intensificar durante o fim de agosto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.