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21/Aug/2026

GO: margens menores de grãos pressionam crédito

Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), o volume de crédito rural em atraso ou renegociado em Goiás alcançou R$ 21 bilhões em 2026, equivalente a cerca de 27% da carteira de R$ 75 bilhões aplicada no Estado. Em junho de 2022, o chamado ‘crédito rural estressado’ somava R$ 1,5 bilhão e representava menos de 3% do total. A deterioração se intensificou nos últimos anos, acompanhando a redução da rentabilidade da atividade agrícola. O volume de crédito em situação problemática passou de R$ 2 bilhões em 2023 para R$ 6 bilhões em 2024 e R$ 10,9 bilhões em 2025, antes de alcançar o patamar atual de R$ 21 bilhões. A pressão financeira ocorre em um cenário de margens mais estreitas para os produtores.

O aumento dos custos de produção foi parcialmente compensado por cotações elevadas das commodities no início da década, mas passou a pesar mais sobre os resultados à medida que os preços recuaram e as condições climáticas afetaram a produtividade. Na soja, a rentabilidade em Goiás alcançou 82% em 2020/21, recuou para 9% em 2023/24 e ficou em torno de 24% na safra recém-encerrada. Para 2026/27, o custo operacional é estimado próximo de R$ 6.200,00 por hectare e há risco de nova compressão das margens caso o El Niño provoque perdas de produtividade e as cotações não apresentem recuperação. Nesse cenário, Goiás poderá registrar a segunda menor rentabilidade da série histórica analisada pela associação.

A menor capacidade de captação de recursos junto ao sistema bancário também tem levado produtores a ampliar a utilização de fontes privadas de financiamento, como Cédula de Produto Rural (CPR), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e fundos de investimento nas cadeias agroindustriais (Fiagro). O estoque de CPR avançou de R$ 156 bilhões em 2022 para R$ 576 bilhões em 2026, segundo os dados apresentados no painel. A migração para instrumentos privados amplia, contudo, a possibilidade de transmissão dos problemas financeiros para outros elos da cadeia do agronegócio. Eventuais atrasos nas CPRs podem afetar a agroindústria, a indústria e o setor de transporte, elevando a necessidade de acompanhamento do risco de crédito e de medidas de renegociação e alívio financeiro para os produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.