21/Aug/2026
Segundo a Hedgepoint Global Markets, a faixa entre US$ 11,50 e US$ 12 por bushel representa atualmente um nível de equilíbrio para os preços da soja na Bolsa de Chicago, considerando a relação entre estoques e consumo nos Estados Unidos. O cenário indica que, embora a cotação de US$ 12,00 por bushel não possa ser considerada um novo nível normal de preços, valores próximos de US$ 11,00 por bushel tendem a ficar para trás pelo menos no curto prazo. A avaliação considera um cenário de safra norte-americana recorde, mas sem formação de estoques folgados. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção de soja de 123 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 6% ante o ciclo anterior, enquanto os estoques finais devem recuar de 8,8 milhões para 8,7 milhões de toneladas. A relação estoque/uso está estimada em 7%. O aperto relativo da oferta decorre principalmente do avanço do esmagamento doméstico e da recuperação das exportações.
O processamento norte-americano está projetado em 75,7 milhões de toneladas em 2026/27, ante 72,3 milhões de toneladas em 2025/26, impulsionado pela maior demanda por óleo de soja para a produção de biocombustíveis. A maior remuneração proporcionada pelo óleo tem ampliado as margens da indústria de esmagamento e pode se consolidar como importante vetor de sustentação para a oleaginosa nos próximos anos. No mercado externo, a China voltou a ganhar peso. As compras chinesas e de destinos classificados como desconhecidos, categoria que normalmente reúne negócios destinados à China ainda sem identificação final, somavam cerca de 8,2 milhões de toneladas de soja da safra norte-americana 2026/27 até a primeira semana de agosto, ante 1,7 milhão de toneladas em igual período do ano anterior. A aceleração das aquisições reduziu as dúvidas sobre a disposição da China em voltar a comprar volumes relevantes dos Estados Unidos e reforçou a expectativa de crescimento das exportações norte-americanas em 2026/27.
A relação comercial entre Estados Unidos e China continuará no radar do mercado com o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para 24 de setembro. As negociações recentes apresentam sinais favoráveis e podem reforçar o compromisso chinês de adquirir 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano, ou mesmo abrir espaço para volumes superiores. Do lado da oferta, ainda existe possibilidade de revisão para baixo da produtividade da soja nos Estados Unidos. O USDA trabalha com rendimento médio de 3,54 toneladas por hectare em 2026/27, ante o recorde de 3,56 toneladas por hectare no ciclo anterior. Ao mesmo tempo, 61% das lavouras estão classificadas como boas ou excelentes, ante 68% há um ano, enquanto a umidade dos solos está menor em partes do cinturão produtor. O quadro não caracteriza uma quebra de safra, mas mantém espaço para algum ajuste negativo na produtividade.
Nas próximas semanas, a definição da safra norte-americana continuará no centro das atenções. Com o avanço da colheita nos Estados Unidos e o início do plantio no Brasil, porém, o foco do mercado tende a migrar gradualmente para a América do Sul. Problemas climáticos no Brasil ou na Argentina poderiam levar as cotações em Chicago a novos patamares, enquanto o desenvolvimento normal das duas safras tende a aumentar a pressão sobre os preços mais adiante. No curto prazo, entretanto, os fundamentos de oferta, demanda, esmagamento e exportações indicam sustentação para a soja acima dos níveis observados anteriormente, com a faixa de US$ 11,50 a US$ 12,00 por bushel representando um equilíbrio considerado adequado para o mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.