21/Aug/2026
Segundo a Hedgepoint Global Markets, a produção brasileira de soja deve crescer 0,1% na safra 2026/27 e atingir o recorde de 181,7 milhões de toneladas, ante 181,5 milhões de toneladas estimadas para o ciclo 2025/26. A estimativa aponta avanço de apenas 200 mil toneladas e, desconsiderando safras afetadas por quebras produtivas, representa o menor crescimento da produção brasileira de soja em cerca de 30 anos. A projeção é de aumento de 0,9% da área cultivada, para 49,2 milhões de hectares, cerca de 400 mil hectares acima de 2025/26. A produtividade média, por outro lado, deve recuar 0,8%, para 3,69 toneladas por hectare. A projeção da consultoria é mais conservadora que a do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estima produção brasileira de 186 milhões de toneladas e trabalha com expansão de aproximadamente 1,5 milhão de hectares.
A Hedgepoint considera pouco provável esse avanço de área diante do atual cenário de rentabilidade dos produtores. O aumento dos custos, a redução dos preços médios e o estreitamento das margens devem limitar tanto a abertura de novas áreas quanto os investimentos nas lavouras. O produtor brasileiro passou de um ambiente de margens elevadas para um cenário de maior necessidade de gestão de risco e menor acesso ao crédito, segundo a análise da consultoria. A menor produtividade projetada para 2026/27 também reflete uma base de comparação elevada. Os rendimentos obtidos em 2025/26 foram excepcionais em importantes regiões produtoras, com recordes ou níveis próximos disso em Mato Grosso e Goiás. A repetição desse desempenho dependeria novamente de condições amplamente favoráveis ao longo do ciclo. Em um cenário de clima normal, a tendência seria de retorno da produtividade a níveis um pouco inferiores.
A estimativa não incorpora perdas provocadas pelo fenômeno climático El Niño. No cenário-base, a consultoria considera normalização da produtividade no Centro-Norte e recuperação na Região Sul do Brasil. O fenômeno, contudo, é apontado como o principal risco para a projeção, diante da possibilidade de intensidade forte a muito forte entre setembro e janeiro, período importante para o desenvolvimento da safra brasileira. Por enquanto, os mapas climáticos indicam chuvas favoráveis entre setembro e outubro, reduzindo o risco de dificuldades no início do plantio. A atenção aumenta a partir de novembro, quando as previsões apontam diminuição das precipitações no Centro-Norte. A evolução da produção dependerá do momento de chegada e de eventual interrupção das chuvas nas principais regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.