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21/Aug/2026

El Niño eleva risco à safra brasileira de soja 2026/27

Segundo a Hedgepoint Global Markets, o fenômeno climático El Niño, com tendência de intensidade forte a muito forte entre setembro e janeiro, eleva os riscos para a safra brasileira de soja 2026/27, principalmente no Centro-Norte, mas as previsões atuais indicam condições favoráveis para o início do plantio. O padrão típico do fenômeno na América do Sul tende a favorecer chuvas acima da média na Região Sul do Brasil e volumes menores no Centro-Norte, região que concentra parcela relevante da produção nacional. A ocorrência de El Niño, contudo, não implica necessariamente perdas de produção. O fenômeno esteve associado às perdas registradas no Centro-Norte na safra 2023/24, mas seus efeitos dependem da intensidade, do período de ocorrência e da distribuição das chuvas.

Os mapas climáticos atuais apontam precipitações acima da média em boa parte do Brasil entre setembro e outubro, período que concentra o início da semeadura, reduzindo o risco de atraso na implantação das lavouras. A situação tende a exigir maior atenção a partir de novembro, quando as previsões indicam redução das chuvas no Centro-Norte. O impacto sobre a safra dependerá principalmente da distribuição das precipitações ao longo do ciclo e do momento em que as chuvas chegarem ou perderem intensidade. A Hedgepoint trabalha, em seu cenário-base, com produção brasileira recorde de 181,7 milhões de toneladas de soja em 2026/27, alta de 0,1% ante as 181,5 milhões de toneladas estimadas para a temporada anterior. A projeção não incorpora eventuais perdas provocadas pelo El Niño e considera o retorno da produtividade média a níveis mais próximos da normalidade após os rendimentos excepcionalmente elevados observados no Centro do País em 2025/26.

A projeção é de expansão de 0,9% da área plantada, para 49,2 milhões de hectares, enquanto a produtividade média deve recuar 0,8%, para 3,69 toneladas por hectare. O cenário poderá ser revisado caso as condições climáticas se afastem do padrão atualmente projetado. A partir de setembro e outubro, com o avanço da colheita de soja nos Estados Unidos e o início da semeadura no Brasil, a tendência é de aumento da atenção do mercado sobre o desenvolvimento da safra sul-americana. O comportamento das chuvas no Centro-Norte será um dos principais fatores de acompanhamento, diante do risco de redução das precipitações associado ao El Niño. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.