21/Aug/2026
Segundo avaliação da Hedgepoint Global Markets, a meta da China de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano é considerada factível e pode até ser superada. O compromisso foi firmado em outubro de 2025 e prevê aquisições de 25 milhões de toneladas anuais nos três anos seguintes. A maior compra anual chinesa de soja norte-americana foi de 36 milhões de toneladas em 2022/23, indicando espaço para o cumprimento da meta. A China vem cumprindo os volumes acertados até o momento, incluindo as 12 milhões de toneladas previstas até fevereiro. O compromisso foi reforçado após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, em maio. As compras destinadas à nova safra norte-americana reforçam essa perspectiva.
China e destinos classificados como desconhecidos, categoria que costuma incluir negócios chineses ainda sem identificação final, somavam 8,155 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos da safra 2026/27 até a primeira semana de agosto, ante 1,678 milhão de toneladas no mesmo período de 2025. O volume também supera os registrados em 2023 e 2024 e fica abaixo apenas dos níveis observados em 2021 e 2022. Até junho e julho, ainda havia dúvidas no mercado sobre a intensidade da demanda chinesa pela soja norte-americana. A aceleração recente das aquisições, contudo, reforçou a expectativa de recuperação das exportações dos Estados Unidos em 2026/27 e passou a oferecer suporte adicional às cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago.
Um novo encontro entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, previsto para 24 de setembro, deve manter as relações comerciais entre os dois países no radar do mercado. As negociações recentes têm produzido sinais favoráveis, e a próxima reunião poderá reforçar o volume já acertado ou abrir espaço para compras maiores. Uma eventual redução das tarifas ainda incidentes sobre a soja dos Estados Unidos também poderia estimular a participação de compradores privados chineses, atualmente menor que a das empresas estatais. Mesmo nesse cenário, os compradores estatais continuariam como os principais participantes das aquisições. O aumento das necessidades chinesas de importação e processamento também abre espaço para o cumprimento da meta de 25 milhões de toneladas sem necessariamente restringir em igual proporção as compras de outras origens.
O crescimento da demanda chinesa por importação e esmagamento amplia a capacidade de absorção do mercado. O cenário externo mais favorável se soma ao ritmo elevado de esmagamento nos Estados Unidos. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projete safra recorde de 123 milhões de toneladas em 2026/27, as exportações devem crescer para 45,2 milhões de toneladas, ante 41,4 milhões de toneladas no ciclo anterior. O processamento deve avançar para 75,7 milhões de toneladas, ante 72,3 milhões de toneladas em 2025/26. Com esse quadro, os estoques finais norte-americanos são estimados em 8,7 milhões de toneladas, praticamente estáveis ante as 8,8 milhões de toneladas previstas para 2025/26 e ainda considerados apertados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.