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21/Aug/2026

Compras chinesas dão suporte à soja nos EUA

A China continua adquirindo soja dos Estados Unidos e dá sinais de que poderá ampliar as importações, em um movimento que oferece suporte à demanda no mercado norte-americano. Na última semana, os chineses adquiriram cerca de 400 mil toneladas de soja dos Estados Unidos e já teriam comprado entre 4,9 milhões e 5 milhões de toneladas de um total de 25 milhões de toneladas. Outro sinal de continuidade da demanda chinesa foi a venda de cerca de 308 mil toneladas de soja importada pela Sinograin, gestora estatal das reservas da China, em leilão realizado no mercado doméstico. O resultado indica espaço para novas importações chinesas, em um momento relevante para a formação dos preços na Bolsa de Chicago. O esmagamento de soja dos Estados Unidos em julho, medido pela Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa), ficou abaixo das expectativas do mercado, embora tenha superado o volume registrado em junho e em julho do ano passado. A continuidade das compras da China contribui para compensar parte da frustração com o ritmo do esmagamento norte-americano e mantém a demanda externa como fator de suporte para os preços.

O mercado também acompanha o avanço do Pro Farmer Crop Tour nos Estados Unidos. Nos quatro primeiros Estados visitados, Ohio, Indiana, Dakota do Sul e Nebraska, os levantamentos apontaram produtividade de milho e contagem de vagens de soja abaixo dos níveis observados no ano passado. Parte da comparação é influenciada pela safra recorde de milho de 2025, enquanto a produção atual ainda é projetada como a segunda maior da história. Mesmo assim, os resultados têm reforçado a percepção de risco de oferta e contribuído para uma reação positiva das cotações ao longo do período. No Mar Negro, a situação logística permanece deteriorada. Foram registrados ataques ao porto báltico russo de Ust-Luga, aos portos ucranianos de Pivdennyi e Izmail, a embarcações próximas de Odessa e relatos de ataques a navios nas regiões russas de Novorossiysk e Tuapse. A sucessão de ocorrências mantém o mercado atento aos riscos de transporte e disponibilidade de grãos, embora as cotações da soja tenham passado por correção no último pregão.

A reação do mercado aos novos episódios logísticos perdeu intensidade, em um movimento associado à chamada ‘fadiga de manchetes’. A cada novo ataque contra porto, embarcação ou terminal de grãos, a resposta dos preços tem sido menor, enquanto algoritmos de negociação e realização de lucros passaram a exercer maior influência. A perda de força das cotações, contudo, não elimina o problema estrutural relacionado à logística no Mar Negro. A percepção dos participantes do mercado também mudou desde o início do conflito. Inicialmente, o cenário era considerado altista no curto prazo e potencialmente baixista no longo prazo caso os fluxos comerciais fossem normalizados rapidamente. Atualmente, cresce a preocupação de compradores com a possibilidade de grandes importadores, como Egito e Argélia, realizarem licitações em um momento de menor disponibilidade de trigo da Ucrânia e da Rússia. As exportações russas de trigo ilustram a dificuldade de escoamento. A Rússia embarcou 1,6 milhão de toneladas em julho, ante 2,2 milhões de toneladas em junho.

Para agosto, as estimativas variam de 2,2 milhões a 3,5 milhões de toneladas, mas a maior parte do mercado trabalha com a parte inferior da faixa. Caso esse cenário se confirme, os embarques ficarão abaixo dos 4,4 milhões de toneladas registrados em agosto do ano passado e representarão o menor volume em dez anos. Na União Europeia, a preocupação envolve tanto a necessidade de ampliar as importações de milho e colza após as ondas de calor quanto a dificuldade de utilização da Ucrânia como principal origem adicional em razão dos problemas de escoamento marítimo. A União Europeia já importou 2,12 milhões de toneladas de milho na temporada, ante 1,48 milhão de toneladas no mesmo período do ano passado. Nas compras de colza, o volume alcançou 460 mil toneladas, também acima do ritmo registrado no ano anterior. Ao mesmo tempo, produtores europeus mantêm parte do trigo retida à espera de preços mais favoráveis, em um contexto de menor competitividade da Ucrânia e da Rússia. As exportações de trigo da União Europeia somam 1,48 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior.

O quadro logístico é agravado pelos baixos níveis dos rios Reno e Danúbio, com o Reno atingindo uma nova mínima de nível de água, apesar de uma ligeira recuperação nos últimos dias. O Estreito de Ormuz permanece como outro foco de atenção para os mercados de energia, frete e fertilizantes. A passagem de embarcações pela região continua reduzida, enquanto há relatos de novos ataques a navios. Para o mercado agrícola, os principais riscos estão associados à elevação dos custos de diesel, transporte e ureia, com possíveis impactos sobre os custos de produção e logística. As condições climáticas também entram nas perspectivas para o mercado agrícola. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos continua indicando intensificação do El Niño, com risco de 90% de ocorrência de um evento muito forte. A principal incerteza está relacionada ao momento de início do fenômeno e à intensidade de seus efeitos, com climatologistas projetando maior influência entre setembro e dezembro, embora alguns sinais possam já ter aparecido antecipadamente, como as chuvas na Argentina e as ondas de calor na Europa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.