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19/Aug/2026

Soja dos EUA ganha competitividade ante brasileira

Segundo a Stag International, a melhora da competitividade da soja dos Estados Unidos em relação à brasileira e o risco de produtividade norte-americana abaixo da projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) abrem espaço para novas altas na Bolsa de Chicago. Porém, a retomada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China limita uma aposta mais firme na valorização dos contratos futuros. A soja norte-americana está cerca de US$ 13,00 por tonelada mais barata que a brasileira para novembro, enquanto a disponibilidade de soja no Brasil permanece limitada pela postura dos produtores. Os valores de reposição da soja brasileira são estimados em US$ 2,30 por bushel, ante prêmios FOB para outubro, próximos de US$ 1,60 por bushel. Entre 83% e 85% da soja brasileira da safra 2025/26 já foi comercializada, considerando as esmagadoras cobertas até o fim de outubro.

Mesmo com a depreciação do Real na última semana, os produtores não elevaram de forma significativa o ritmo de vendas. Paralelamente, os preços no mercado interno continuaram avançando diante da disputa dos compradores pelo volume limitado ofertado. Nesse cenário, a competitividade brasileira tende a diminuir progressivamente. A comercialização lenta e os valores elevados de reposição no mercado interno mantêm os prêmios FOB sustentados e favorecem o deslocamento de parte da demanda mundial para os Estados Unidos. A diferença de aproximadamente US$ 0,70 por bushel entre os valores de reposição e os prêmios FOB indica que os preços atuais de exportação ainda não são suficientes para estimular os produtores brasileiros a acelerar de forma relevante as vendas. Uma eventual valorização do Real para a faixa de R$ 5,35 a R$ 5,40 poderia alterar esse cenário, aproximando os preços internos dos níveis desejados pelos produtores e estimulando uma nova rodada de comercialização.

Entretanto, essa hipótese não é considerada como cenário-base neste momento. No lado da oferta norte-americana, as atenções estão concentradas nesta semana no Pro Farmer Crop Tour. Com a área plantada praticamente definida, a principal dúvida do mercado é se as avaliações de campo confirmarão a produtividade de 3,54 toneladas por hectare projetada atualmente pelo USDA. Os primeiros levantamentos do Crop Tour mostraram contagem de vagens abaixo da registrada no ano passado em Nebraska e Ohio, reforçando a possibilidade de revisão negativa da produtividade. As avaliações de campo também deverão contribuir para dimensionar os efeitos das enchentes registradas na semana passada em partes de Illinois e Indiana, especialmente quanto à ocorrência de danos irreversíveis nas lavouras. Uma redução relevante em relação ao projetado pelo USDA poderia apertar rapidamente o balanço norte-americano e proporcionar novo suporte aos contratos futuros de soja. Mas, é preciso manter cautela, porque a melhora dos fundamentos ainda não resultou em aumento significativo das posições compradas dos fundos em soja.

Pelo lado da demanda, os sinais permanecem mistos. A China continua comprando soja norte-americana, enquanto o México também vem reservando volumes da nova safra. As compras chinesas estão, de maneira geral, dentro do ritmo histórico para esta época do ano, mas ainda não aceleraram o suficiente para assegurar ao mercado que volumes maiores serão alcançados. A composição das compras também contribui para a cautela. Caso entidades ligadas ao governo chinês tenham respondido pela maior parte das aquisições realizadas até agora, o mercado poderá aguardar uma participação mais forte de esmagadoras e importadoras comerciais antes de considerar estrutural a recuperação da demanda chinesa. Chama atenção a reescalada das tensões entre Estados Unidos e China antes da visita esperada do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos no próximo mês. Os Estados Unidos endureceram restrições em setores como robótica, transporte marítimo, tecnologia e meio acadêmico, enquanto a China respondeu com sanções a empresas norte-americanas, controles mais rígidos sobre exportações de drones e outras medidas regulatórias.

A retomada das retaliações amplia a incerteza sobre as relações comerciais entre os dois países e pode limitar a disposição dos fundos de ampliar posições compradas em soja mesmo diante de eventual surpresa negativa de produtividade. Uma nova escalada também poderia complicar ou atrasar a visita de Xi Jinping aos Estados Unidos. O USDA projeta exportações norte-americanas de soja de 45,18 milhões de toneladas, em 2026/27. Se a China adquirir aproximadamente 25 milhões de toneladas, restariam perto de 20 milhões de toneladas para destinos não chineses, abaixo dos cerca de 29 milhões de toneladas exportados para esses mercados em 2025/26. Mais adiante, dois fatores podem ampliar o suporte aos preços. O primeiro é a manutenção da menor competitividade brasileira caso os prêmios FOB continuem elevados. O segundo é o início do plantio na América do Sul. Se o padrão emergente de El Niño começar a prejudicar a semeadura ou o desenvolvimento inicial das lavouras, a Bolsa de Chicago poderá incorporar prêmio climático adicional aos preços da soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.