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19/Aug/2026

China quer reduzir dependência da importação de soja

A China prevê elevar em cerca de 13% a produtividade média da soja nos próximos cinco anos, como parte da estratégia para reduzir a dependência das importações agrícolas. A produtividade média atual é estimada em 2,25 mil quilos por hectare, com meta de alcançar 2,55 mil quilos por hectare. A estimativa pode variar conforme a fonte, mas esses são os números considerados reais pelo Centro de Inovação em Ciência e Tecnologia de Ulanhot. A estratégia chinesa para elevar o rendimento da oleaginosa está baseada no uso de tecnologias mais avançadas, melhoria do manejo das lavouras e ampliação da extensão rural. Entre os principais desafios identificados estão o controle de plantas daninhas, o manejo inadequado das áreas e a presença de resíduos de herbicidas utilizados em culturas anteriores.

O desenvolvimento de novas variedades tolerantes a herbicidas é apontado como uma das alternativas para enfrentar esses problemas. O Centro de Inovação em Ciência e Tecnologia de Ulanhot está localizado no norte da China, na região da Mongólia Interior, que faz fronteira com a Mongólia, e é mantido pelo governo chinês como parte dos esforços para ampliar a produção doméstica de soja. A estrutura tem entre suas principais funções demonstrar tecnologias desenvolvidas, adaptar práticas agrícolas às diferentes regiões produtoras e capacitar agricultores para reproduzir modelos de cultivo considerados mais eficientes. A limitação de terras agricultáveis é um dos principais fatores que levam a China a priorizar ganhos de produtividade em vez da expansão da área cultivada.

O país possui cerca de 13,3 milhões de hectares destinados à soja, dos quais 4,6 milhões de hectares estão na Mongólia Interior, principal região produtora. O objetivo é elevar a produção na mesma área disponível, sem depender de uma expansão significativa da superfície cultivada. A rentabilidade relativa entre as culturas também limita uma eventual migração de áreas de milho para soja. Atualmente, o milho apresenta maior retorno econômico para os produtores chineses, reduzindo a expectativa de uma substituição espontânea e expressiva de áreas. A estratégia, portanto, concentra-se no aumento da produtividade da soja e na adoção de tecnologias capazes de melhorar o desempenho das lavouras. Na agricultura familiar, produtores vinculados a cooperativas também apontam limitações econômicas e agronômicas para a expansão contínua da soja.

Um produtor da região estima receita bruta de 1.700 yuans por mu (unidade de medida utilizada na China, sendo que 1 hectare equivale aproximadamente a 15 mu). Considerando os subsídios concedidos pelo governo, a receita líquida após os custos é estimada em 700 yuans por mu. O sistema de rotação de culturas também é utilizado como estratégia para preservar a produtividade. A alternância entre soja e milho reduz o risco de queda de rendimento associado ao cultivo contínuo da oleaginosa. Dessa forma, o aumento da produção chinesa de soja tende a depender mais da evolução tecnológica, do manejo e dos ganhos de produtividade do que da abertura de novas áreas. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.