19/Aug/2026
Segundo o Rabobank, a área plantada com soja no Brasil deve permanecer praticamente estável na safra 2026/27, após mais de duas décadas de expansão contínua, diante de preços mais baixos da oleaginosa, margens apertadas, crédito mais restrito e juros elevados. A cultura ocupou aproximadamente 49 milhões de hectares em 2025/26, após crescer a uma taxa média de cerca de 4% ao ano entre 2000/01 e 2025/26. A estabilização representa uma mudança relevante na estratégia dos produtores e indica desaceleração do ritmo de expansão da área. A manutenção da área não representa retração estrutural da produção brasileira, mas mudança na forma de crescimento da oferta.
No curto prazo, a expansão deverá depender mais dos ganhos de produtividade, da intensificação do uso da terra e da eficiência operacional. Para 2026/27, o Rabobank projeta produção brasileira de aproximadamente 178 milhões de toneladas, abaixo do recorde estimado para o ciclo anterior. A safra 2025/26 é estimada em cerca de 182 milhões de toneladas, e a redução prevista para a próxima temporada reflete principalmente a normalização dos rendimentos após dois anos de produtividade elevada, e não a diminuição da área cultivada. No mercado internacional, a menor participação dos Estados Unidos nas compras chinesas vem abrindo espaço para a soja brasileira.
Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os Estados Unidos exportaram 12 milhões de toneladas de soja para a China, 10 milhões de toneladas abaixo do volume registrado no mesmo intervalo do ciclo anterior. O Brasil responde atualmente por aproximadamente 42% da produção mundial da oleaginosa, ante cerca de 28% em 2010. Esse cenário favorece a participação brasileira no atendimento da demanda chinesa e contribui para sustentar os preços no mercado físico em diferentes regiões produtoras, com melhora dos prêmios. A demanda doméstica também oferece suporte ao mercado. O esmagamento brasileiro deve atingir nível recorde, sustentado pelas margens positivas da indústria e pela valorização do óleo de soja em meio à alta do petróleo.
O adiamento da elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel para B16, contudo, mantém as margens do biocombustível mais pressionadas. No comércio externo, a evolução das relações entre Estados Unidos e China permanece entre as principais variáveis para os próximos meses. Eventuais avanços nas negociações podem ampliar as compras chinesas de soja norte-americana a partir dos embarques da safra 2026/27. A manutenção das tensões, por outro lado, tende a preservar a vantagem competitiva da soja brasileira na disputa pela demanda chinesa. O clima também representa um dos principais riscos para a próxima temporada.
Modelos climáticos apontam probabilidade elevada de ocorrência do El Niño no segundo semestre de 2026, período crítico para o desenvolvimento da soja no Brasil. Entre os demais fatores de atenção estão a volatilidade dos preços dos fertilizantes, os custos financeiros elevados, a restrição de crédito, as tensões geopolíticas e as oscilações cambiais. Nesse ambiente, a soja brasileira tende a manter posição competitiva no mercado internacional e capacidade de atender à demanda global, mesmo com a interrupção do ciclo de expansão da área cultivada observado nas últimas duas décadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.