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19/Aug/2026

Soja: potencial para expansão do uso de bioinsumos

Segundo a Kynetec, a soja já possui mais da metade da área tratada com produtos biológicos no Brasil, mas ainda concentra um dos maiores potenciais de expansão desse mercado. A cultura ultrapassou 58 milhões de hectares tratados com bioinsumos na safra 2025/26, impulsionada principalmente pelos bionematicidas, enquanto problemas fitossanitários como ferrugem, mancha, percevejo e lagarta continuam sendo tratados majoritariamente com produtos químicos. A participação dos biológicos é ainda mais elevada no manejo de nematoides. Mais de 80% da área de soja tratada contra essa praga já utiliza produtos de base biológica. A expansão do segmento na cultura, portanto, depende principalmente do desenvolvimento de soluções de maior desempenho para outros problemas fitossanitários. Produtos com alta eficiência contra ferrugem, mancha, percevejo e lagarta podem ampliar significativamente a participação dos biológicos no manejo da soja. O mofo-branco constitui uma das exceções ao predomínio dos produtos químicos entre os principais problemas fitossanitários da soja.

Os biológicos já estão presentes em cerca de 20% da área tratada contra a doença. A tendência de crescimento não implica necessariamente substituição integral dos defensivos químicos, mas maior combinação de ferramentas dentro dos sistemas de manejo. A adoção de biológicos apresenta diferenças relevantes entre as regiões produtoras de soja. O Cerrado é o principal impulsionador do mercado de bionematicidas, enquanto a utilização no Sul permanece em estágio mais incipiente. Em Goiás, Mato Grosso e Pará, além do Matopiba, a participação dos bionematicidas, que estava na faixa de 38% a 40% nas safras 2023/24 e 2024/25, ultrapassou 50% em 2025/26. Entre os fatores que explicam essa diferença está a maior percepção dos produtores sobre a presença de nematoides. Na Região Sul, parte dos agricultores ainda não identifica a ocorrência da praga ou associa seus sintomas a problemas de solo ou nutrição. A expansão dos bionematicidas na região dependerá de maior atuação da indústria e do setor acadêmico na identificação dos nematoides, na demonstração dos impactos sobre as lavouras e na comprovação do retorno econômico do tratamento.

O avanço dos biológicos também é expressivo em outras culturas. No milho 2ª safra, a adoção aumentou de cerca de 6% da área em 2020 para aproximadamente 64% na safra 2025/26, quando alcançou 22,9 milhões de hectares tratados. A expansão ocorreu principalmente em razão do aumento da pressão da cigarrinha-do-milho e da necessidade de intensificação do manejo em uma janela de cultivo mais curta. No algodão, os produtos biológicos já são utilizados em 74% da área tratada com defensivos, equivalente a aproximadamente 4,9 milhões de hectares na safra 2025/26. Cinco safras atrás, a área alcançava cerca de 1 milhão de hectares, evidenciando forte expansão da adoção no período. Na cana-de-açúcar, cultura historicamente mais avançada na utilização de produtos biológicos, a adoção chegou a 60% na safra 2025/26, com aproximadamente 12,5 milhões de hectares tratados. O crescimento ocorre principalmente com o uso de biofungicidas, associados à melhoria da sanidade das lavouras e ao aumento da produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.