19/Aug/2026
Segundo a StoneX, a demanda brasileira por biodiesel pode alcançar 11,23 bilhões de litros em 2027 caso a mistura obrigatória ao diesel seja elevada para 16% (B16) a partir de março. Nesse cenário, as vendas do biocombustível cresceriam 9% ante 2026. Se o Brasil mantiver o B15 durante todo o ano, a demanda deverá alcançar 10,44 bilhões de litros, alta de 1,2%, acompanhando o ritmo projetado para o mercado de diesel B. A projeção está condicionada às decisões sobre o cronograma de aumento da mistura obrigatória. Os testes de viabilidade para uma eventual ampliação até B20 devem ser concluídos até fevereiro. O setor produtivo defende que, após a conclusão dos estudos, a mistura avance para B17 em 2027, conforme o cronograma do programa Combustível do Futuro. A comprovação da viabilidade técnica, contudo, não é suficiente, por si só, para determinar a elevação do mandato.
A alteração poderia ocorrer no primeiro semestre de 2027, por exemplo em março, ou apenas na segunda metade do ano, caso prevaleçam preocupações com os impactos inflacionários de uma mistura maior de biodiesel ao diesel. Para 2026, foi reduzida levemente a estimativa de demanda por biodiesel, para 10,31 bilhões de litros, ante 10,35 bilhões de litros na projeção anterior. Ainda assim, o volume representa crescimento de 5,7% sobre 2025. No primeiro semestre, as vendas somaram 4,9 bilhões de litros, alta de 8,4% ante igual período de 2025, quando ainda vigorava o B14. A mistura efetivamente realizada, entretanto, ficou abaixo do mandato de 15% durante o primeiro semestre. Em junho, por exemplo, a mistura implícita foi de 13,6%, equivalente a 778 milhões de litros. Essas oscilações são recorrentes e pode ocorrer compensação dos volumes oficiais em períodos posteriores do ano.
A partir de agosto, a expectativa é de normalização do B15, o que deverá desacelerar o crescimento das vendas de biodiesel na comparação anual. No cenário de B16 a partir de março de 2027, a demanda por óleo de soja para produção de biodiesel alcançaria 9,548 milhões de toneladas, ante 8,2 milhões de toneladas estimadas para 2026. O consumo do insumo avançaria, portanto, cerca de 6,1% em 2027. Com a manutenção do B15 durante todo o próximo ano, o uso de óleo de soja ficaria em 8,852 milhões de toneladas. A gordura bovina também deverá ganhar participação na composição das matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel. A menor capacidade de exportação de sebo para os Estados Unidos, após a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, favorecerá uma maior absorção do insumo pela cadeia de biodiesel. Em 2026, a participação do sebo deverá alcançar média de 6,9% e poderá permanecer nesse patamar em 2027.
Mesmo com o aumento da participação do sebo, o óleo de soja tende a se beneficiar de eventual elevação do mandato. O aumento do volume de biodiesel produzido implica maior utilização do óleo de soja na cadeia produtiva, ampliando a demanda pelo insumo. A perspectiva para o biodiesel acompanha, em parte, a evolução do mercado de diesel B. A projeção é de vendas de 70,6 bilhões de litros de diesel B em 2026, alta de 1,6%, e de 71,4 bilhões de litros em 2027, crescimento de 1,2%. O volume projetado para 2027 representaria o 11º ano consecutivo de recorde. Para 2027, é esperada uma expansão mais moderada das vendas de diesel, diante da possibilidade de estabilidade ou recuo da produção de grãos e de maior impacto das tarifas norte-americanas e da inflação global sobre a indústria. A expectativa de continuidade do crescimento da economia brasileira, contudo, deverá manter as vendas de diesel em patamar elevado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.