18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, o fortalecimento do El Niño ao longo da primavera aumenta o risco de atraso no início do plantio da soja 2026/27 em Mato Grosso e no Matopiba, onde a evolução da semeadura dependerá da regularização mais consistente das chuvas. No Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul, as condições devem ser mais favoráveis para o início dos trabalhos. O fenômeno climático já está estabelecido e tende a ganhar intensidade nos próximos meses, favorecendo chuvas acima da média no Sul do País e maior irregularidade na distribuição das precipitações no Centro-Norte. O cenário aumenta os riscos para o desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões em que o início da nova temporada depende da recomposição da umidade dos solos. A primeira etapa de maior atenção para a safra de verão (1ª safra 2026/2027) será setembro. Os modelos indicam retorno gradual das precipitações ao Centro-Oeste e a parte do Sudeste na transição para o mês, ainda de maneira irregular.
A segunda quinzena de setembro tende a apresentar condições mais favoráveis para o avanço da semeadura, embora a distribuição das chuvas deva continuar heterogênea. Em Mato Grosso e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o ritmo dos trabalhos dependerá de chuvas mais consistentes. No Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul, a perspectiva é mais favorável para o início do plantio, o que deve ampliar a diferença de ritmo entre as regiões na abertura da safra 2026/27. Nas áreas centrais do País, o ponto de partida é de menor disponibilidade de umidade. Julho e o início de agosto foram marcados por baixos acumulados de chuva, redução da umidade relativa do ar e temperaturas acima da média, enquanto as precipitações ficaram concentradas principalmente na Região Sul. O tempo seco favoreceu a colheita do milho 2ª safra e do algodão, além das operações de café e cana-de-açúcar, mas também acelerou a perda de umidade dos solos antes do início da nova temporada. Até o fim de agosto, os mapas climáticos ainda indicam predomínio de tempo mais aberto em grande parte do País.
No Sul, as chuvas devem retornar gradualmente no fim do mês, enquanto a mudança mais relevante para a soja deve ocorrer com a entrada de setembro e a retomada das precipitações no Centro-Oeste e em parte do Sudeste. No Sul, o risco climático é diferente. As chuvas recentes contribuíram para manter níveis favoráveis de umidade para as culturas de inverno, mas também dificultaram as operações de campo e ampliaram as preocupações com a qualidade do trigo. Com a aproximação da primavera, a evolução das precipitações continuará sendo monitorada durante a fase final de desenvolvimento das lavouras e a colheita. Fora do Brasil, o Itaú BBA também acompanha os efeitos do El Niño sobre o regime de monções na Ásia. Tailândia, Vietnã, Indonésia e Filipinas estão entre os países onde o fenômeno pode aumentar a irregularidade das chuvas e afetar, nos próximos meses, culturas dependentes das precipitações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.