18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, uma eventual valorização da soja na Bolsa de Chicago pode chegar com menor intensidade ao produtor brasileiro na safra 2026/27. Prêmios de exportação mais pressionados na nova temporada devem compensar parte de possíveis ganhos dos contratos futuros, diante da expectativa de ampla oferta na América do Sul. O comportamento do basis, que representa de forma simplificada a diferença entre a referência de Chicago e o preço negociado no mercado físico, permanece como fator limitante para uma recuperação mais expressiva das cotações da soja 2026/27 no Brasil. Com o enfraquecimento dessa relação, uma eventual alta dos futuros em Chicago tende a ser transmitida de forma mais limitada ao preço recebido pelo produtor brasileiro. Esse movimento já aparece na formação dos preços da próxima safra. Embora os contratos futuros em Chicago tenham apresentado valorização nos últimos meses, parte desse avanço vem sendo compensada por prêmios mais descontados no Brasil.
O banco relaciona o comportamento à perspectiva de oferta elevada na América do Sul em 2026/27. Para a soja disponível, a dinâmica é diferente. Com a redução sazonal da oferta brasileira, os Estados Unidos ganharam competitividade no mercado internacional. Os prêmios no Golfo norte-americano estão entre US$ 1,00 e US$ 1,15 por bushel, enquanto no Brasil variam de US$ 1,50 a US$ 1,60 por bushel. Esse diferencial tende a favorecer as compras chinesas e de outros importadores, movimento característico desta época do ano, quando as exportações brasileiras começam a perder ritmo diante da menor competitividade em relação à origem norte-americana. A oferta global permanece confortável. No relatório de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou de 122 milhões para 123 milhões de toneladas a estimativa para a produção norte-americana de soja, com o aumento da área cultivada compensando a redução da produtividade projetada.
O maior processamento doméstico, contudo, limitou o crescimento estimado dos estoques finais. No mercado global, o USDA projeta produção de soja de 442 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 3% ante a temporada anterior, enquanto o consumo também é estimado em 442 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de produção de 186 milhões de toneladas, ante 181 milhões de toneladas em 2025/26. A produção da Argentina é estimada em 50 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais devem alcançar 124 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 28%. Na Bolsa de Chicago, o prêmio climático perdeu força no início de agosto. Depois de avançar 6,2% em julho, para média de US$ 11,97 por bushel, o primeiro vencimento recuou 2,7% na parcial de agosto, para US$ 11,62 por bushel, equivalente a cerca de US$ 427,01 por tonelada. A movimentação reflete a melhora das condições das lavouras nos Estados Unidos e a retomada das expectativas de uma grande produção.
No mercado físico brasileiro, em contrapartida, as cotações continuaram avançando. Em Sorriso (MT), a soja registrou média de R$ 120,00 por saca de 60 Kg em julho, alta de 10,8% ante junho, e alcançou R$ 125,00 por saca de 60 Kg na parcial de agosto, avanço adicional de 4,3%. Câmbio, prêmios de exportação, demanda externa e maior cautela dos produtores nas vendas contribuíram para sustentar os preços. A China já começou a aproveitar a maior competitividade da soja norte-americana. As compras chinesas da safra 2026/27 dos Estados Unidos somam 4,6 milhões de toneladas para embarques entre outubro e dezembro. O país está praticamente coberto para setembro, mas apresenta baixa cobertura para o fim do ano. A expectativa do mercado é de que os chineses adquiram 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos na safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.