18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, o aumento do esmagamento de soja deve ampliar a oferta mundial de óleo e farelo na safra 2026/27, mas a demanda por biocombustíveis tende a sustentar as cotações do óleo de soja até o fim deste ano. A aproximação de um período de maior consumo de biodiesel pode elevar as compras das distribuidoras e limitar a pressão baixista decorrente da maior disponibilidade do derivado. Um mercado mais aquecido de biodiesel poderá ampliar o consumo de óleo e sustentar as cotações ao longo do restante de 2026. O início das negociações do próximo ciclo do biocombustível costuma coincidir com aumento do consumo e dos preços.
A expectativa de melhora nos valores negociados em relação aos últimos dois meses também pode estimular a demanda das distribuidoras por óleo. O suporte proporcionado pelo biodiesel ganha relevância diante da perspectiva de crescimento da oferta. No relatório de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as projeções para o esmagamento de soja no país e, consequentemente, para a produção de óleo e farelo. Para o óleo de soja, o órgão também aumentou a estimativa de consumo destinado à fabricação de biocombustíveis, além das projeções de importações e uso doméstico, e reduziu a previsão para as exportações.
A produção mundial de óleo de soja é projetada em 75 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 3% ante o ciclo anterior, enquanto o consumo deve crescer na mesma proporção, para 73 milhões de toneladas. Os estoques finais são estimados em 6,9 milhões de toneladas, avanço de 8%. No mercado de farelo, o aumento do processamento também deve ampliar a disponibilidade do produto, mas a demanda terá capacidade de absorver parcela relevante da oferta adicional. O USDA elevou as estimativas de consumo doméstico e exportações dos Estados Unidos e também revisou para cima as importações. A demanda é considerada suficientemente forte para absorver boa parte desse crescimento, especialmente nos segmentos de ração animal e biocombustíveis.
A produção global de farelo deve alcançar 302 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 3%, diante de consumo de 297 milhões de toneladas, também 3% maior. No Brasil, a produção é estimada em 50 milhões de toneladas, ante 47 milhões de toneladas no ciclo anterior. Os estoques finais mundiais devem aumentar de 19 milhões para 20 milhões de toneladas. Na Bolsa de Chicago, os derivados perderam força no início de agosto. O óleo de soja recuou 4,5% ante a média de julho, para 68,15 centavos de dólar por libra-peso, pressionado pela perspectiva de maior disponibilidade global de óleos vegetais. O farelo caiu 2,8%, para US$ 310,00 por tonelada, após a melhora das condições das lavouras norte-americanas reduzir os riscos para a oferta. No Brasil, contudo, os preços continuaram avançando.
Em Mato Grosso, o óleo de soja passou de R$ 5.884,00 por tonelada em julho para R$ 5.967,00 na parcial de agosto, alta de 1,4%, sustentado pelo câmbio e pela demanda da indústria de biodiesel. O farelo subiu 4,3%, de R$ 1.734,00 para R$ 1.810,00 por tonelada, impulsionado pela demanda doméstica firme, pela maior competitividade das exportações e pela valorização cambial. Os embarques brasileiros de farelo somaram 15,4 milhões de toneladas entre janeiro e julho, volume 9,5% superior às 14 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.