17/Aug/2026
Os preços do complexo soja estão em alta no mercado doméstico, impulsionados pela maior disputa entre consumidores internos e externos. As negociações são favorecidas pela valorização do dólar frente ao Real, o que aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e tende a atrair importadores para o País. Além disso, a relação entre estoque e consumo final da soja na safra 2025/26 deve atingir 33,5%, o menor percentual desde a safra 2022/23, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse cenário reflete o crescimento da demanda global, impulsionado pelo aumento do consumo e das transações internacionais. Para a temporada 2026/27, as projeções iniciais indicam oferta ainda maior, mas a demanda deve continuar a avançar em ritmo acelerado. Com isso, a relação estoque/consumo final está estimada em 32,3%, inferior à da temporada atual. Esse cenário segue dando suporte aos preços do complexo soja.
Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1,4%, cotado a R$ 146,94 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,8% nos últimos sete dias, a R$ 139,99 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as altas são de 1,5% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1,8% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Entre os derivados, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) é de R$ 6.663,21 por tonelada, aumento de 1,2% nos últimos sete dias. O preço do farelo de soja registra alta de 1,6% no mesmo intervalo. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio também sustenta as cotações. Na Bolsa de Chicago, contrato Ago/26 tem alta de 1% nos últimos sete dias. O mesmo vencimento do óleo de soja apresenta avanço de 1,4%. O preço futuro do farelo de soja (vencimento Ago/26) registra leve recuo de 0,3% no mesmo período.
De acordo com o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global de soja nesta temporada (2025/26) segue projetada em 429,46 milhões de toneladas. Embora haja reajuste na produção da Argentina para 49,5 milhões de toneladas, 1% abaixo do relatório anterior, também houve reajuste na produção do Brasil, com acréscimo de 1%, para o recorde de 180,5 milhões de toneladas. Mesmo diante da maior oferta, o consumo mundial e as transações globais seguem em ascensão. O consumo global é projetado em 430,27 milhões de toneladas e as exportações, em 187,19 milhões de toneladas; ambos os volumes são recordes. Diante desse cenário, o USDA revisou o estoque de passagem para 125,12 milhões de toneladas na atual temporada, uma redução de 0,16% frente ao relatório anterior e de 0,66% em relação à temporada passada. O relatório também chama a atenção para o crescimento da demanda por derivados de soja. As exportações brasileiras de farelo de soja são projetadas em volume recorde de 25,25 milhões de toneladas na atual temporada (de out/25 a set/26), 1% acima do previsto no relatório anterior.
O consumo doméstico de farelo de soja é estimado em volume histórico, em 21,8 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, as exportações foram revisadas para serem 0,9% maiores em relação ao relatório anterior, com projeção mais recente de 18,59 milhões de toneladas de farelo de soja (de setembro/25 a agosto/26). O consumo doméstico foi reajustado positivamente em ligeiro 0,3%, para um volume recorde de 39,59 milhões de toneladas de farelo de soja. Na Argentina, a estimativa de exportação se manteve em 29 milhões de toneladas (de outubro/25 a setembro/26), volume 2,6% abaixo do escoado na temporada passada. Em contrapartida, o consumo doméstico na Argentina segue em crescimento, com projeção de 3,6 milhões de toneladas, um recorde. O consumo mundial de óleo de soja também é projetado em volume recorde de 71,36 milhões de toneladas na safra 2025/26. O USDA revisou as importações da Índia, com um aumento de 9,7% em relação ao relatório anterior, para 5,1 milhões de toneladas na temporada 2025/26 (de outubro/25 a setembro/26). No entanto, esse volume é 6,7% inferior ao da safra passada.
A Argentina segue como a principal exportadora mundial do derivado, com 6,45 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico permanece estimado em 1,98 milhão de toneladas. As exportações de óleo de soja do Brasil foram reajustadas em 200 mil toneladas, para 1,8 milhão de toneladas nesta safra; trata-se do maior volume desde a safra 2022/23. O consumo doméstico de óleo de soja no Brasil foi revisado para 10,95 milhões de toneladas. Embora tenha recuado 0,9% em relação ao relatório anterior, trata-se de um volume recorde em comparação com as temporadas anteriores. Vale ressaltar que, do volume consumido, cerca de 63% são destinados ao consumo industrial (biodiesel) e 37%, ao alimentício. Os Estados Unidos praticamente não exportam óleo de soja, sendo a produção do coproduto destinada na íntegra ao mercado interno. Com isso, o USDA elevou o consumo doméstico em 0,7% em relação ao relatório anterior, para 13,74 milhões de toneladas, um recorde. Nos Estados Unidos, o setor alimentício corresponde a 51,5% do consumo total, enquanto o de biodiesel corresponde a 48,5%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.