17/Aug/2026
As compras chinesas de soja norte-americana da safra 2026/27 continuam dando suporte aos contratos na Bolsa de Chicago e reduziram o impacto baixista das condições climáticas mais favoráveis às lavouras dos Estados Unidos. A China já adquiriu cerca de 21% da meta de 25 milhões de toneladas mencionada em acordo com Washington, e o mercado acompanha a possibilidade de a China atingir metade desse volume antes da reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, prevista para 24 de setembro. Exportadores dos Estados Unidos venderam 136 mil toneladas de soja para a China em operação anunciada em 13 de agosto, com entrega no próximo ano comercial. As compras chinesas vêm sendo registradas em vários dias da semana, indicando continuidade do programa de aquisição. Considerando também vendas destinadas a compradores não revelados, os compromissos podem superar 25% da meta, uma vez que historicamente parte dessas operações acaba direcionada à China.
O ritmo das compras altera a percepção do mercado em relação ao mesmo período do ano passado, quando a China ainda não havia adquirido soja norte-americana da nova safra. A demanda chinesa também ganha importância diante da menor dependência dos Estados Unidos das exportações para o escoamento da soja. Cerca de 61% da produção norte-americana é atualmente destinada ao esmagamento doméstico, participação que continua aumentando. Com esse nível de processamento interno e um programa de exportações considerado adequado, o balanço de oferta e demanda permanece relativamente ajustado mesmo com o aumento da área plantada em 5 milhões de acres neste ano. Para o Brasil, o aumento das compras chinesas nos Estados Unidos durante a entrada da safra norte-americana pode limitar parte da demanda pelo produto brasileiro no curto prazo. Ao mesmo tempo, o risco climático na América do Sul começa a ganhar espaço nas expectativas de Chicago antes mesmo do plantio.
As probabilidades de ocorrência de El Niño permanecem elevadas, com expectativa de manutenção do fenômeno em intensidade forte durante o outono do Hemisfério Norte, correspondente à primavera no Hemisfério Sul. Em eventos de El Niño de maior intensidade, a metade norte da América do Sul costuma registrar condições mais secas justamente durante o período de plantio da soja no Brasil, entre outubro e novembro. O principal risco para a produção brasileira pode estar menos na impossibilidade de realizar o plantio e mais no ritmo de avanço da semeadura. Um plantio mais lento pode atrasar a colheita da soja e, consequentemente, reduzir a janela para a implantação da 2ª safra de milho de 2027. Nos Estados Unidos, o clima também permanece como fator central para a formação dos preços. Áreas entre Iowa e Ohio, incluindo Kentucky, receberam chuvas excessivas durante a semana, com maiores volumes em Indiana e Ohio.
Foram registrados danos localizados provocados por vento, alagamentos e excesso de umidade, mas ainda sem impacto amplo o suficiente para alterar de forma clara a estimativa de produtividade nacional. As condições das lavouras norte-americanas são heterogêneas, com áreas apresentando desempenho excepcional e outras registrando perdas associadas à seca, ao calor ou ao excesso de umidade. Parte das lavouras de milho do cinturão agrícola sofreu perda de nitrogênio após as chuvas intensas de junho, principalmente em áreas sem utilização de inibidores. O impacto foi mais significativo nas regiões que receberam volumes elevados de precipitação acompanhados de temperaturas altas. A soja norte-americana apresenta condição relativamente melhor. Avaliações de campo indicam lavouras em boas condições em várias regiões, com potencial para uma safra robusta caso as chuvas recentes contribuam para a conclusão do ciclo.
No milho, a avaliação é mais heterogênea: o oeste do Corn Belt tende a apresentar boa produtividade, mas abaixo do recorde de 2025, enquanto o leste pode alcançar resultados melhores, exceto nas áreas prejudicadas pelo excesso de chuvas. Milho e soja continuam contando com suporte da demanda. No milho, os Estados Unidos mantêm consumo interno e exportações elevados, enquanto a relação estoque/uso pode recuar para perto de 10%. Na soja, mesmo com expectativa de grandes safras no Brasil e aumento da área plantada nos Estados Unidos, os estoques globais não apresentam crescimento expressivo, pois o consumo também avança, inclusive para a produção de biocombustíveis. A combinação entre demanda chinesa, consumo global elevado e risco climático na América do Sul reduz a possibilidade de uma leitura exclusivamente baixista para os mercados de milho e soja. A proximidade da colheita norte-americana pode limitar movimentos de alta mais fortes, mas o mercado tende a permanecer atento ao ritmo das compras chinesas e à evolução das condições climáticas no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.