17/Aug/2026
O adiamento da elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% para 16% (B16), mantém pressão sobre os preços e as margens do biocombustível no mercado brasileiro. A indústria ampliou a capacidade produtiva em antecipação ao aumento da demanda que seria provocado pela adoção do B16, prevista inicialmente para março de 2026. Como a mudança não ocorreu, o mercado passou a contar com maior oferta de biodiesel em relação à demanda esperada, pressionando preços e rentabilidade. A elevação do mandato depende da conclusão de testes técnicos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliam a viabilidade de misturas de biodiesel superiores a 15% em motores da frota nacional. O Ministério de Minas e Energia (MME) trabalha oficialmente com a expectativa de aprovação do B16 ainda em 2026, mas o cronograma sofreu sucessivos ajustes. O MME tem até 30 de novembro para divulgar uma versão atualizada das datas de conclusão dos estudos, enquanto a decisão final caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Uma reunião do CNPE que poderia tratar do tema chegou a ser marcada e posteriormente cancelada em maio, sem nova data definida. A 3tentos está entre as empresas que ampliaram a capacidade de produção na expectativa da mudança do mandato. Nos últimos 12 meses, a companhia elevou em aproximadamente 60% sua capacidade de esmagamento de soja e de produção de biodiesel. No segundo trimestre, a receita das operações industriais cresceu 4,7%, para R$ 2,01 bilhões. O preço do biodiesel, entretanto, ficou 3% abaixo do registrado um ano antes, enquanto o farelo de soja recuou 12%. A indústria foi o principal fator de pressão sobre a rentabilidade da 3tentos no período. No consolidado, o Ebitda ajustado com hedge caiu 64,3%, para R$ 78,7 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado recuou 86,3%, para R$ 14,4 milhões.
A manutenção do B15 e a ausência da entrada do B16 permanecem, portanto, como fatores de pressão sobre as margens da atividade. A empresa não estabeleceu prazo para a elevação da mistura. As informações disponíveis indicam que os testes necessários para uma eventual adoção de percentual superior a 15% ainda demandarão algum tempo, o que reduz a possibilidade de uma solução para o fator B16 no curto prazo e, provavelmente, também no segundo semestre de 2026. No segundo semestre, a 3tentos identifica possibilidade de alguma recuperação das margens industriais em razão de um fator sazonal. Com a passagem da safra para a entressafra, a oferta de matéria-prima e os preços tendem historicamente a apresentar ajustes. Durante a safra, a maior disponibilidade de matéria-prima exerce pressão sobre os preços, enquanto na entressafra o comportamento tende a ser mais favorável às margens. Essa avaliação considera o padrão histórico do mercado e não representa uma projeção formal da companhia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.