14/Aug/2026
O relatório mensal de oferta e demanda agrícola (Wasde), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apresentou sinais mistos para a soja e fundamentos mais favoráveis ao milho, após revisões na produtividade e nos estoques norte-americanos. O cenário alterou as condições de mercado ao reduzir a produtividade projetada para a soja, mas elevar a área colhida e a produção nos Estados Unidos, enquanto no milho houve aumento das exportações e redução dos estoques finais. Na soja, a queda da produtividade norte-americana foi compensada pelo aumento da área colhida e da produção. Dessa forma, o efeito potencialmente positivo da menor produtividade sobre os preços foi parcialmente neutralizado por uma oferta maior e por estoques acima do esperado.
A manutenção da projeção de importações chinesas em 115 milhões de toneladas também limitou uma reação mais forte das cotações da oleaginosa. No milho, o relatório trouxe fundamentos mais favoráveis, com avanço das exportações norte-americanas e redução dos estoques finais. O movimento elevou a percepção de maior aperto na oferta dos Estados Unidos e contribuiu para sustentar os preços do cereal na Bolsa de Chicago e na B3. A relação estoque/uso do milho norte-americano recuou de 11% para 10,12%, indicando um balanço mais ajustado entre oferta disponível e consumo. A redução da disponibilidade relativa reforça o suporte aos preços, especialmente diante da perspectiva de maior participação dos Estados Unidos nas exportações.
Para o produtor brasileiro, a recomendação é de cautela. No mercado de soja, a manutenção de um movimento consistente de alta das cotações dependerá do surgimento de novos sinais de aumento da demanda chinesa ou de perdas adicionais na safra norte-americana. No milho, apesar da melhora dos fundamentos internacionais, o comportamento dos preços no mercado doméstico continuará condicionado principalmente ao câmbio, aos prêmios de exportação e ao ritmo dos embarques brasileiros. Esses fatores permanecem determinantes para a formação das cotações internas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.